ARTES DE FRONTEIRA hibridismos e experimentações
Uma leitura expandida do material de PERFORMANCE e VIDEOARTE no Arquivo Multimeios do CCSPArquivo de Autor – Aguilar
Concerto de piano com luvas de boxe
Performance, video-registro.
Trecho do video original de Aguilar de 15’23’’
Concerto de piano de cauda com luvas de boxe, violino, cítara, 2 extintores de incêndio, 4 letras de 2 metros de altura e instrumentos vários.
Participação de Go, Marcicano, Arnaldo Antunes e Vania Passos na Pinacoteca de São Paulo em novembro de 1980.
Aguilar
Você tem que entrar em valores estéticos e valores sociais para vender dentro de um mercado tão duro que nem o nosso, tão rígido… porque não é um mercado sutil.
Aguilar, pg 26. DT1479
1980
Aguilar
Existe um processo de cultura que é a cultura popular, que não é a pop art, é mais a cultura da fome, e a gente não chega perto, porque realmente não tem a linguagem própria, a linguagem vivencial para se exprimir (…). Existe um tipo de cultura que é cultura oficial. Esta cultura oficial é a cultura de fachada de uma superestrutura política e social e que entra componentes estéticos, valorações de mercado de arte e existe todo um jogo de praticamente vender a alma ao diabo, porque a verdade você está se expondo, você está se vendendo (…). Agora, existe um terceiro tipo de cultura, ou anti-cultura, ou o que você quiser chamar, porque é um problema da comunicação meio marginal, não marginal no sentido social, mas marginal no sistema de linguagens e de canais de comunicação de arte. Por exemplo, (…) quando eu estou falando que performance é um tipo de arte marginal dos canais de arte, é. É porque ninguém vende performance, (…) teu preço cai no mercado, é totalmente marginalizante.
Aguilar, pg 25. DT1479
1980
Aguilar
O video se diferencia violentamente do cinema, primeiro pelas própiras condições tecnológicas… você pega uma câmera de video, quando olha no visor você não ve nada. (…) [no video] a realidade é feita através de uma série de pontos e linhas. Então é uma realidade traduzida, quase. Não é como o cinema, que é uma realidade ótica (…).
Aguilar, pg 5 – FT0491
1980
Aguilar
A televisão brasileira não tem iteresse [na videoarte], ela está muito viciada dentro de um determinado tipo de imagem que é o chamado – imagem global de qualidade -, em que os atores interpretam. Ainda é uma linguagem de teatro e não uma linguagem de video.
Aguilar, pg 4 – FT0491
1980
Aguilar
A videoarte começou principamente nos anos 60, mais ou menos. Teve sua origem quando a Sony lançou o primeiro aparelho portátil de televisão.
Aguilar, pg 1 – FT0491
1980
Aguilar
A performance pode vir da pintura, pode vir da música, pode vir de diversas áreas. Então você, através dessa densidade, projeta a idéia.
Aguilar, pg 3 DT1479
1980
Aguilar
A videoarte está muito ligado também à arte de performance, porque na realidade, a arte corporal – a arte do momento e o video têm uma coisa muito interligada, o exato movimento, determinar a espontaneidade, a força do momento e a integração com as pessoas também é uma coisa interessante.
Aguilar, pg 7 – FT0491
1980
Aguilar
Interessante que o video, além de ser a arte do olho, a arte de ver, a arte de ver não o convencional, mas a arte de descobrir você mesmo através de sua visão de mundo, leva para um determinado tipo de ação corporal. (…) Então, vários artistas que utilizam esta mídia, esta linguagem, eles realmente fazem parte principalmente de um contexto de performance, eles realizam performances, eles realizam atos através do corpo (…).
Aguilar, pg 1 – FT0491
1980
Aguilar
A videoarte, num determinado sentido, agregou todos os artistas contemporâneos da vanguarda. (falando da década de 60)
Aguilar, pg 1 FT0491
1980
Aguilar
Toda a arte contemporânea se baseia principalmente no descondicionamento de uma postura acadêmica de arte, te leva mais para um questionamento de uma posição de cultura.
Aguilar pg 1 – FT0491
1980
Aguilar
Muita gente me fala que a videoarte é muito chata além de agressiva. Ela é chata pois eu acho que ela joga com o tempo real e o tempo real é um tempo que incomoda. (…) A montagem da televisão ou do cinema (que a televisão usa muito a linguagem do cinema), é um tempo irreal. Toda montagem [nesses casos] é sempre no sentido de prender a atenção (…), te levando para longe de uma realidade sua, na maioria das vezes.
Aguilar, pg 10 – FT0491
1980
(mais adiante na pág 11 Aguilar reitera sua fala dizendo que se refere a alguns videos específicos que se utilizam do tempo real. Mas considero essa citação importante pois está falando da idéia de incômodo e estranhamento causada pela videoarte, como até hoje percebemos na apreensão arte contemporânea por parte do público.)
Aguilar
A gente ta tentando fazer um negócio, uma cultura da inteligência.
Aguilar, pg 29. DT1479
1980
Aguilar
É bobagem pensar que performance é participação de público. A participação do público se faz não através da ação do público, mas se faz através de uma correlação entre o artista da performance e a vibração que exerce sobre o público. (…) Não tem erro, é uma correlação entre público e performance, é uma cumplicidade num determinado nível, que não precisa evocar uma participação manual.
Aguilar, pg 17. DT1479
1980
Aguilar
As maiores performances vem da música. Muita gente que faz performance veio da música.
Aguilar, pg 9. DT1479
1980
Aguilar
Vocês estão sentados aí e a gente a tentando descongelar alguma comida que está totalmente congelada e explicar para todo mundo ter uma boa média e voltar com o cabedal conceitual um pouco mais rico. Mas na medida que se conceitua sobre processo de performance, a gente ta fazendo a anti-performance num determinado sentido, porque performance é justamente o tempo. É a tecitura nervosa do momento (…), cada missa é uma performance. E depois, se você chamar o padre, o sacerdote ou o papa para discutir sobre a performance dele, já parte do sagrado para o profano.
Aguilar, pg 7. DT1479
1980
Aguilar
A performance é uma coisa que acontece no ato, com as vibrações energéticas nervosas, do sistema nervoso daquele momento. Depois, para ela se perpetuar, existe todo um processo arqueológico que consiste em registrar em video ou em fotografia e uma forma mais interessante ainda do processo arqueológico são os vestígios da performance.
Aguilar, pg 7. DT1479
1980
Aguilar
Performance num determinado sentido é basicamentea transmissão de uma idéia, de uma linguagem do artista em questão, através de uma série de movimentos, de uma determinada série de evoluções que vão justificar essa idéia.
Aguilar, pg 3. DT1479
1980
Aguilar
Performance é uma coisa muito perecível, é só naquele momento, depois some.
Aguilar, pg 10 – FT0491
1980