ARTES DE FRONTEIRA hibridismos e experimentações

Uma leitura expandida do material de PERFORMANCE e VIDEOARTE no Arquivo Multimeios do CCSP

Arquivo de Autor – Gabriel Borba Filho

Gabriel Borba Filho

O que torna o trabalho de arte sério é a história, seja pela historização do objeto em si, uma tela que fica famosa, seja pela historização do modelo. (…) A performance não se faz história. Primeiro, ela é um fato efêmero, de modo que ela não tem condição de se fazer histórica a não ser pelo rumo e pela documentação.

Gabriel Borba Filho, p.7-8, TR 2025

1985

Gabriel Borba Filho

Em 1970-71, eu fazia algumas coisas num estúdio da TV da ECA com algumas pessoas. Essa coisa veio a ser chamada de videoarte e, muito mais tarde, coisas dessa linha, que eu fiz em 76, 78, é que chamaram de videoperformance. Era uma ação que se desenvolvia entre pessoas, entre pessoas e coisas, num estúdio, e que tinha uma orientação muito clara de ser uma ação para registro televisivo.

Gabriel Borba Filho, p.2, TR 2025

1985

Por que a performance ? A performance foi uma maneira que eu tive de tirar o meio entre o artista e a coisa do real. Ou seja, se faço pintura, eu tenho a tela entre eu e o real.

Gabriel Borba Filho, p.1, TR 2025

1985

Gabriel Borba Filho

A minha linha (…) é que a linguagem se dá por estruturas, o resto é veículo. Então, quer dizer, eu tenho uma coisa que eu quero contar. Então eu articulo certas funções básicas e as alinhavo numa determinada ordem, seja linear, seja apocalíptica como foi essa, não sei, e depois eu lanço mão de diversos veículos, seja a fala, seja um desenho, um ritual, isto para mim é muito caro.

Gabriel Borba Filho, pg 14.  DT1479  

1980

Gabriel Borba Filho

De repente, o artista plástico deixa de manipular o seu material tradicional, pincel, tela, etc, e passa a manipular um material bastante sofisticado, que é esse equipamento do teatro, criando uma nova intermediação e mergulhando num universo que começa já a se distanciar, de alguma maneira, daquela pureza artística, pureza dentro da capacidade artística que se trabalha, que vem se desenvolvendo desde o barroco. Pintura ser somente pintura e mais nenhuma outra coisa (…).

Gabriel Borba Filho, pg 1 e 2, DT3601

1984

(Falando sobre performance)

Gabriel Borba Filho

(…) a performance tira do teatro, tira da música, enfim, de outras atividades, aquilo que ela tem de plástico, ou seja, de moldável.

Gabriel Borba Filho, pg 9 e 10.  DT1479  

1980

Gabriel Borba Filho

Aparentemente, essa forma de arte [performance], ela começou a se manifestar como um percurso de rompimento do mediador entre o artista e a realidade.

Gabriel Borba Filho, pg 1, DT3601

1984

Gabriel Borba Filho

O meu sistema de trabalhar é muito assim, eu sempre de alguma maneira procurei provocar as pessoas, (…), daí a idéia de opereta, de provocar realmente catarses. Normalmente eu trabalho provocando desconforto.

Gabriel Borba Filho, pg 17.  DT1479  

1980

Sobre performance

Gabriel Borba Filho

(…) você pergunta se é compensador [a realização da performance]. Tem esse fato da realização que é inteiramente compensador porque é uma maneira de você articular a sua vivência.

Gabriel Borba Filho, pg 12.  DT1479  

1980

Gabriel Borba Filho

(…) aquela argentina, a Marta Minugin, ela uma vez falou uma coisa bem interessante. Ela falou assim: o tempo do happening era divertido, mas agora, o tempo da performance, é fascinante.

Gabriel Borba Filho, pg 11.  DT1479  

1980

Gabriel Borba Filho

 A performance é realmente uma demonstraçãodo processo, do procedimento do artista.

Gabriel Borba Filho, pg 4 DT1479  

1980

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