ARTES DE FRONTEIRA hibridismos e experimentações
Uma leitura expandida do material de PERFORMANCE e VIDEOARTE no Arquivo Multimeios do CCSPArquivo de Autor – Walter Zanini
Walter Zanini
Fluxus é história, mas também é presente; em suas performances desenvolveram diversos conceitos de arte, conduzidos pela idéia da participação do público, conscientizando-o de que as ações do Fluxus estão ao alcance de qualquer um.
Walter Zanini, Catálogo da 17ª Bienal, 1983
in Lygia Arcuri Eluf, p.22, DT 3604.
1987
Wolf Vostell
Apresentamos o Fluxos como o primeiro grupo sem lista de nomes. Quem quisesse pertencer a ele, decidiria por si mesmo.
Wolf Vostell – Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 320. DT3599
1983
Walter Zanini
No Brasil, a linguagem do video tem sido geralmente uma ação programada pelo artista, valendo-se do sistema portátil de 1/2 polegada. Performances de auto-análise, intervenções na tela do televisor, análises das condições de vivência do meio e ainda registros de atividades conceptuais que exploram o espaço/tempo do video assinalam uma parte essencial desse processo.
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Walter Zanini
Constata-se [na videoarte] a predominância da exploração visual na Europa, as múltiplas investigações da realidade nos EUA, favorecidas pelo seu hardware e uma idiossincrasia de elementos narrativos (ênfase no discurso verbal) nas vanguardas canadenses. Nos Brasileiros e outros latino-americanos, observam-se interesses tanto no que diz respeito a ideários estruturais quanto (principalmente) no que se refere a abordagens de problemas de conteúdo, onde se sobressaem os de natureza sócio-cultural, em ambos se situando a própria crítica da televisão e sua força de impacto em largos extratos de população culturalmente desamparadas. Estas diferenciações não podem obviamente se configurar em termos absolutos (…).
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Walter Zanini
Os artistas do video exercem-se no plano da intersemioticidade. Sua atitude fundamental é a da renúncia aos contextos que privilegiam os atributos estéticos da arte. Idéia e signo são os referenciais de sua individuação aplicados no sentido interrogativo dos níveis da realidade. À finitude da obra tradicional opõem uma sistemática de trabalho alicerçada no continuum processual.
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Walter Zanini
As edições que propagam os trabalhos, a constituição de videotecas, as manifestações que se multiplicam por toda a parte, são evidências insinuantes da imposição por si mesma de uma mídia que se endereça ao futuro (…).
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Walter Zanini
A história da videoarte, portable production, demonstrou o quanto a criatividade de seus autores esbarrou na indiferença e na hostilidade dos receptores. Incompreensível, aborrecível, desinteressante, inócua, eram e são adjetivos habituais a que se acrescenta a sua subestimação motivada pelos chamados “defeitos” ou “enganos” técnicos, que contrastam com a perfeição e a sofisticação da tela fosforescente da televisão de estúdio. Alguns teóricos do video têm assinalado que o “aborrecimento” do video não seria maior que o da TV comercial, a cujos programas intercalados intermitentemente por interrupções de propaganda, promoções da estação, spots, etc., todos, porém, bem ou mal se acostumaram.
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Walter Zanini
Sua atuação [do videoarte] tem-se revelado freqüentemente na direção de uma análise da própria sensibilidade, de um auto-estudo ou na investigação crítica da realidade social, onde procuram trazer com sua imaginária uma contribuição e interferência nos contextos de vivência massificada. A desalienação do indivíduo diante das pressões que estreitam sua consciência tem constituído uma de suas intenções essenciais, e nesse sentido a imagem eletrônica que realizam configura-se enquanto uma contra-televisão.
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Walter Zanini
A videoarte pertence à galáxia da multimídia, ou seja, às múltiplas produções de linguagem que se comportam em níveis operacionais completamente distintos daqueles que identificam a obra única, inserida nos contextos da cotaçao de mercado, não significando isso que um video-cassete ou um livro-de-artista não tenham um preço. É claro que eles o têm, mas nenhum paralelo poderia ser traçado aproximando a distância que separa essas duas realidades profundamente divergentes.
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Walter Zanini
No que se refere à veiculação, é uma verdade óbvia que a informação do video, na mobilidade incomparável de seu trânsito, pode atender diferenciadas necessidades culturais contemporâneas com muito maior eficácia do que a setorização que aflige o produto artístico tradicional, situação que, entre nós, Waldemar Cordeiro insistia em esclarecer, na sua defesa radical do uso dos meios eletrônicos (…).
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Walter Zanini
O campo especulativo do video mistura-se com a substancialidade da TV na exploração da realidade. Mas sua problemática inverte o que passou a ser a necessidade condicionada de consumo do telespectador, ou descerra campos insuspeitados e imprevistos à utilização do tubo de raios catódicos. Suas origens estão sensivelmente na compreensão da arte enquanto fenômeno acoplado à existencialidade, da arte enquanto um processo de atividade e, portanto, não mais conduzida pela exigência física da produção de um objeto, da arte que se pressupõe como um sistema colocado na perspectiva dos meios mais válidos da comunicação do presente (…).
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Walter Zanini
A televisão (…) utilizada comercialmente, converteu-se num elemento de massificação cultural, ou seja, em instrumento anti-dialógico à serviço da interpretação unívoca dos que retém o comando da informação: uma arma incomparável à serviço do poder político e econômico, do controle institucional, pouco importando a ideologia do sistema social em que viesse a ser implantado.
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Walter Zanini
Todo potencial da televisão dirige-se à apreensão da realidade nos mais penetrantes aspectos de sua imediaticidade. As qualidades estruturais específicas da TV tem sido estudadas frequentemente na análise comparativa com o cinema. Um depoimento de Frank Gillette refere-se às naturezas intrínsecas da luz do cinema e da luz do video: nesta “você olha na fonte da luz, e no filme você olha com a fonte da luz” (conforme Willoughby Sharp). Os contrastes que separam a rapidez da informação proporcionada pelos recursos eletrônicos da televisão da lentidão de transmissão a que obriga a natureza química do filme, a intensidade do presente registrado na fita magnética e a aura de passado que fulge mesmo nas atualidades cinematográficas, a forma de comunicação direta da TV em oposição à aura de ficção de que o cinema não escapa até nos seus próprios desvelos realísticos, o feed back possibilitado pelo video e a mensagem sem retorno do filme, a informalidade e a intimidade de apresentação de um programa de TV, determinada pelo seu pequeno screen, contrapostas ao cerimonial da apresentação do filme, herdeiro da cena italiana – compõe esse corpus geral da antinomías linguísticas entre os dois media.
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Walter Zanini
A abordagem do video, desde a década passada, vem sendo realizada pelos artistas ao menos em três áreas distintas:
1) pela manipulação técnica do fluxo de imagens eletrônicas convertidas em significantes “abstratos”;
2) pelo tratamento do VT como elemento de instauração ambiental;
3) pelas virtualidades que oferece à atividade do produtor na percepção da realidade enquanto fenômeno auto-expressivo e/ou social.
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Walter Zanini
Vostell, através de intensa atuação intersemiótica, incluía a pesquisa de TV em happenigs e environments, estimulado pelo problema da ausência de feed back do media e na sua utilização coletiva enquanto recurso psíquico-estético.
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978