ARTES DE FRONTEIRA hibridismos e experimentações
Uma leitura expandida do material de PERFORMANCE e VIDEOARTE no Arquivo Multimeios do CCSPArquivo de Autora – Cacilda Teixeira da Costa
Cacilda Teixeira da Costa
As instalações de video ficaram cada vez mais complexas e constituem certamente a possibilidade mais rica que se oferece hoje aos artistas que trabalham com video no circuito de galerias e museus. Essas instalações, quando elas realmente estão bem realizadas, quando elas têm arte, quando elas servem como meio de alguma coisa, têm um significado (…), elas estabelecem um diálogo entre espaço e tempo em todos os aspectos (a luz, o som, a cor), as possibilidades diferentes de percepção da imagem se integram. A instalação não é o que mostra o video nem é o que você ouve, mas seria você conseguir uma integração entre todos esses aspectos e, principalmente, essa possibilidade diferente da percepção.
Cacilda Teixeira da Costa, p.11, TR 2130
1990
Cacilda Teixeira da Costa
Paik e Vostell compreenderam muito rápido que liberando a imagem da TV dos limites da tela seria possível alcançar formas inesperadas e sedutoras de uma nova estrutura própria da era eletrônica. As videoesculturas de Paik são as primeiras videoinstalações.
Cacilda Teixeira da Costa, p.6, TR 2130
1990
Cacilda Teixeira da Costa
O tempo do video é uma coisa decidida pelo artista. É uma coisa que causava imensa inquietação e muitas vezes tédios que viraram folclore: o tédio da videoarte. Na verdade, isso é um pouco da inexperiência dos artistas que vinham das artes plásticas e não tinham temperamento do uso do tempo. Então, faziam videos muito longos. (…) Uma forma que os artistas descobriram para contornar esse problema do tempo foi com a videoinstalação. (…) O tempo é um dos dados fundamentais da videoinstalação.
Cacilda Teixeira da Costa, p.3-4, TR 2130
1990
Cacilda Teixeira da Costa
Esses videos de artistas desde o começo foram muito difíceis de se colocar. A aspiração dos artistas era que eles fossem veiculados pela televisão comercial, mas isso é dificílimo. (…) A televisão comercial não é o meio, não é o canal para o video de artista. Assim, ele começou a ser veiculado no meio das artes, nas galerias, nos museus (…).
Cacilda Teixeira da Costa, p.2, TR 2130
1990
Cacilda Teixeira da Costa
Esses artistas [do video] se expressavam dentro algumas linhas principais: a significação abstrata, quer dizer, eles usavam meios eletrônicos, tecnológicos, etc. para pesquisar uma imagem abstrata de video de televisão. Uma outra tendência era a documentação, auto-expressiva e social, quer dizer, eles faziam performances que eram registradas em video e eles apresentavam como trabalho de video, mas na maioria das vezes eram performances e instalação ambiental que é o que hoje nós chamamos instalações de video.
Cacilda Teixeira da Costa, p.2, TR 2130
1990
Cacilda Teixeira da Costa
As instalações de video que estão interessando para vocês agora derivam da chamada videoarte, ou seja, o videotape usado por artistas como meio para expressão de sua arte. Começou no final dos anos 50 com Nan June Paik e Wolf Vostell.
Cacilda Teixeira da Costa, p.1, TR 2130
1990
Cacilda Teixeira da Costa
Toda publicidade em televisão é extremamente influienciada pelas obras dos artistas, então, o que centenas de milhares de pessoas assistem na televisão, de uma certa forma é fruto de muita coisa que é criada por aqueles artistas cuja obra é passada no museu para um pequeno público.
Cacilda Teixeira da Costa, pg 12, TR2131
1990
(acerca de videoarte)
Cacilda Teixeira da Costa
A televisão é o nosso dia a dia, então, que o artista use o video é uma coisa que a gente imagina importante também na medida em que essa televisão, que a tectonologia, influi na arte.
Cacilda Teixeira da Costa, pg 11, TR2131
1990
Cacilda Teixeira da Costa
Aquele pessoal com quem eu trabalhei em 77, 78, eram artistas plásticos, geralmente artistas ligados ao movimento conceitual, que usavam o video como um meio, como eles usariam o papel, sei la, uma gravura ou uma fotografia, eles usavam o video. Nesse segundo momento em 86, dez anos depois, já era completamente diferente, era uma nova geração que a gente já não chamava mais de artistas, eles não eram mais artistas plásticos, eles eram videomakers, eles eram pessoas que trabalhavam com video (…) só que esses profissionais de video, os que eventualmente eram artistas, em algum momento eles deixavam de fazer uma coisa que não fosse só para vender e faziam um trabalho de expressão própria. E eu descobri uns trabalhos muito interessantes.
Cacilda Teixeira da Costa, pg 9. TR2131
1990