ARTES DE FRONTEIRA hibridismos e experimentações
Uma leitura expandida do material de PERFORMANCE e VIDEOARTE no Arquivo Multimeios do CCSPArquivo de cinema
Paulo Brusky
Performance, o Moraes define muito bem, quando ele fala do artista como motor da obra.
Na performance você reúne tudo, reúne teatro, artes plásticas, todas as correntes você sintetiza na performance. (…) a música, o cinema, tudo, vc sintetiza.
Paulo Brusky p. 2. TR 2022
1984
Márcia de Carvalho
Tem a televisão, tem o cinema e tem o video, são coisas pra públicos diferentes e, na verdade, definir o público do video é uma coisa que ainda está se fazendo.
Márcia de Carvalho, p.3, TR 2132
1990
Walter Zanini
Todo potencial da televisão dirige-se à apreensão da realidade nos mais penetrantes aspectos de sua imediaticidade. As qualidades estruturais específicas da TV tem sido estudadas frequentemente na análise comparativa com o cinema. Um depoimento de Frank Gillette refere-se às naturezas intrínsecas da luz do cinema e da luz do video: nesta “você olha na fonte da luz, e no filme você olha com a fonte da luz” (conforme Willoughby Sharp). Os contrastes que separam a rapidez da informação proporcionada pelos recursos eletrônicos da televisão da lentidão de transmissão a que obriga a natureza química do filme, a intensidade do presente registrado na fita magnética e a aura de passado que fulge mesmo nas atualidades cinematográficas, a forma de comunicação direta da TV em oposição à aura de ficção de que o cinema não escapa até nos seus próprios desvelos realísticos, o feed back possibilitado pelo video e a mensagem sem retorno do filme, a informalidade e a intimidade de apresentação de um programa de TV, determinada pelo seu pequeno screen, contrapostas ao cerimonial da apresentação do filme, herdeiro da cena italiana – compõe esse corpus geral da antinomías linguísticas entre os dois media.
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Aguilar
O video se diferencia violentamente do cinema, primeiro pelas própiras condições tecnológicas… você pega uma câmera de video, quando olha no visor você não ve nada. (…) [no video] a realidade é feita através de uma série de pontos e linhas. Então é uma realidade traduzida, quase. Não é como o cinema, que é uma realidade ótica (…).
Aguilar, pg 5 – FT0491
1980
Emanuel
Nossa cultura é semi-oriental e semi-ocidental. Isso altera todo o processo. Não existe no Brasil a mesma visão departamentalizadora. O confronto específico entre teatro, cinema, performance, na verdade, a tendência na minha opinião é se mesclar num outro organismo.
Emanuel, pg 3, DT3601
1984
Aguilar
Muita gente me fala que a videoarte é muito chata além de agressiva. Ela é chata pois eu acho que ela joga com o tempo real e o tempo real é um tempo que incomoda. (…) A montagem da televisão ou do cinema (que a televisão usa muito a linguagem do cinema), é um tempo irreal. Toda montagem [nesses casos] é sempre no sentido de prender a atenção (…), te levando para longe de uma realidade sua, na maioria das vezes.
Aguilar, pg 10 – FT0491
1980
(mais adiante na pág 11 Aguilar reitera sua fala dizendo que se refere a alguns videos específicos que se utilizam do tempo real. Mas considero essa citação importante pois está falando da idéia de incômodo e estranhamento causada pela videoarte, como até hoje percebemos na apreensão arte contemporânea por parte do público.)
Lygia Arcuri Eluf
Manifestos e performances tem sido, desde os futuristas até hoje, a expressão dos discidentes que tentam encontrar outros meios de avaliar a experiência da arte no cotidiano, e suas relações com a cultura. Por essa razão, sua base tem sido quase sempre anárquica, e ainda mais através de sua própria natureza, a performance desafia uma definição precisa ou fácil, que fica sempre além da simples afirmação de que é “arte viva feita pelos artistas” (Roselee Goldberg). Qualquer outra definição mais rígida anularia a possibilidade de existência da própria performance, pois ela engloba livremente um grande número de referêcias tais como literatura, comunicação visual, cinema, teatro, dança, música, arquitetura, (…), pintura, escultura e fantasia. Pode-se dizer que nenhuma forma de expressão artística tenha um âmbito tão sem limites. Cada performer cria seu próprio processo, com sua definição e a maneira de execução próprias. De manifestos que acompanham grande parte desse trabalho, estabelecem uma ‘moldura’ e uma visão utópica de uma arte abrangente, que nenhuma pintura, escultura ou qualquer outra forma de manifestação artística pode desejar conseguir por si só.
Lygia Arcuri Eluf, pg 2 e 3. DT3604
pesquisa finalizada em 1987