ARTES DE FRONTEIRA hibridismos e experimentações
Uma leitura expandida do material de PERFORMANCE e VIDEOARTE no Arquivo Multimeios do CCSPArquivo de conceitual
Lygia Arcuri Eluf
Nos dois últimos anos da década de 60 e no início da seguinte, a performance refletiu a rejeição da arte conceitual aos materiais tradicionais como tela, pincel, carvão, etc. Os performers utilizavam o próprio corpo como material.
Lygia Arcuri Eluf, p.31, DT 3604.
1987
Lygia Arcuri Eluf
Em 1936, Albers chamou seu colega da Bauhaus Xanti Schawinsky para ajudá-lo. Como lhe foi dada liberdade para criar seu próprio programa, Schawinsky logo delineou seus estudos de performances como uma extensão das experimentações que haviam sido feitas na Bauhaus. “Esse curso não é nenhum treino para nenhum tipo especial de teatro contemporâneo; é um estudo geral de um fenômeno fundamental: espaço, cor, forma, luz, som, movimento, música, tempo; é um método educacional que almeja o intercâmbio com as artes e ciências usando o palco como laboratório e lugar para a ação e experimentação; o trabalho que realizamos é um conceito pictórico formal; é um teatro visual”, explicou Schawinsky.
Lygia Arcuri Eluf, p.13-14, DT 3604.
1987
Sonia Salzstein
MITOS VADIOS é a réplica vagabunda da vernissage. É impossível querer compreender os trabalhos isoladamente – aquilo era uma quermesse, uma feira, mas sempre lúcida quanto ao fato de ser uma contraposição frontal aos rituais burocráticos da arte. Os panfletos distribuídos (“toda arte remete à cultura, não à natureza”; “o mercado da arte é o preservativo da criação”) implicam numa reconceituação do próprio ato de panfletar. Panfletar a arte, e não arte panfletária, por que não?
Sonia Salzstein p. 5 . DT 1834
1978
Walter Zanini
No Brasil, a linguagem do video tem sido geralmente uma ação programada pelo artista, valendo-se do sistema portátil de 1/2 polegada. Performances de auto-análise, intervenções na tela do televisor, análises das condições de vivência do meio e ainda registros de atividades conceptuais que exploram o espaço/tempo do video assinalam uma parte essencial desse processo.
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Cacilda Teixeira da Costa
Aquele pessoal com quem eu trabalhei em 77, 78, eram artistas plásticos, geralmente artistas ligados ao movimento conceitual, que usavam o video como um meio, como eles usariam o papel, sei la, uma gravura ou uma fotografia, eles usavam o video. Nesse segundo momento em 86, dez anos depois, já era completamente diferente, era uma nova geração que a gente já não chamava mais de artistas, eles não eram mais artistas plásticos, eles eram videomakers, eles eram pessoas que trabalhavam com video (…) só que esses profissionais de video, os que eventualmente eram artistas, em algum momento eles deixavam de fazer uma coisa que não fosse só para vender e faziam um trabalho de expressão própria. E eu descobri uns trabalhos muito interessantes.
Cacilda Teixeira da Costa, pg 9. TR2131
1990
Aguilar
Vocês estão sentados aí e a gente a tentando descongelar alguma comida que está totalmente congelada e explicar para todo mundo ter uma boa média e voltar com o cabedal conceitual um pouco mais rico. Mas na medida que se conceitua sobre processo de performance, a gente ta fazendo a anti-performance num determinado sentido, porque performance é justamente o tempo. É a tecitura nervosa do momento (…), cada missa é uma performance. E depois, se você chamar o padre, o sacerdote ou o papa para discutir sobre a performance dele, já parte do sagrado para o profano.
Aguilar, pg 7. DT1479
1980
Lygia Arcuri Eluf
“A performance tem sido usada como meio de dar vida às idéias formais e conceituais nas quais o fazer artístico se encontra fundamentado. Também tem sido usada muitas vezes como forma de cotestar as convenções da arte oficial. Dentro da história das vanguardas do século XX a performance tem sido ‘a vanguarda das vanguardas’ (Roselee Goldberg – in, Live Art 1909 to the present)”.
Lygia Arcuri Eluf, pg 2 DT3604