ARTES DE FRONTEIRA hibridismos e experimentações
Uma leitura expandida do material de PERFORMANCE e VIDEOARTE no Arquivo Multimeios do CCSPArquivo de cultura
Release de Mitos Vadios
A propósito de MITOS VADIOS
Esta expo-experimento ou performance dará total liberdade aos artistas participantes de criarem com absoluta independência: sem rótulos, condições, especificações ou processos de especulação comercial.
Portanto é absolutamente impossível, de antemão, classificar este acontecimento, pois, dentro de nossa estrutura cultural, os artistas poderão agir sem a interferência de fatores estranhos a atividade criadora.
Release de Mitos Vadios PL 0436
Sonia Salzstein
MITOS VADIOS é a réplica vagabunda da vernissage. É impossível querer compreender os trabalhos isoladamente – aquilo era uma quermesse, uma feira, mas sempre lúcida quanto ao fato de ser uma contraposição frontal aos rituais burocráticos da arte. Os panfletos distribuídos (“toda arte remete à cultura, não à natureza”; “o mercado da arte é o preservativo da criação”) implicam numa reconceituação do próprio ato de panfletar. Panfletar a arte, e não arte panfletária, por que não?
Sonia Salzstein p. 5 . DT 1834
1978
Walter Zanini
Constata-se [na videoarte] a predominância da exploração visual na Europa, as múltiplas investigações da realidade nos EUA, favorecidas pelo seu hardware e uma idiossincrasia de elementos narrativos (ênfase no discurso verbal) nas vanguardas canadenses. Nos Brasileiros e outros latino-americanos, observam-se interesses tanto no que diz respeito a ideários estruturais quanto (principalmente) no que se refere a abordagens de problemas de conteúdo, onde se sobressaem os de natureza sócio-cultural, em ambos se situando a própria crítica da televisão e sua força de impacto em largos extratos de população culturalmente desamparadas. Estas diferenciações não podem obviamente se configurar em termos absolutos (…).
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Walter Zanini
No que se refere à veiculação, é uma verdade óbvia que a informação do video, na mobilidade incomparável de seu trânsito, pode atender diferenciadas necessidades culturais contemporâneas com muito maior eficácia do que a setorização que aflige o produto artístico tradicional, situação que, entre nós, Waldemar Cordeiro insistia em esclarecer, na sua defesa radical do uso dos meios eletrônicos (…).
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Walter Zanini
A televisão (…) utilizada comercialmente, converteu-se num elemento de massificação cultural, ou seja, em instrumento anti-dialógico à serviço da interpretação unívoca dos que retém o comando da informação: uma arma incomparável à serviço do poder político e econômico, do controle institucional, pouco importando a ideologia do sistema social em que viesse a ser implantado.
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Tadeu Jungle
O Brasil ainda encara o video como um objeto estranho. Hoje percebemos os empresários e publicitários mais conscientes do valor deste suporte eletrônico e notamos que no campo comercial o video cresce sem problemas. Isto sem falar no uso óbvio dentro da TV.
Não podemos dizer o mesmo da área cultural. Fazer arte em video, hoje e aqui, é obra sem causa. Não vamos nos aprofundar nos porquês: inexistência de espaços para veiculação; retorno comercial nulo; desprezo estético generalizado pela intelectualidade Brasiliana…
Tadeu Jungle – MAC Espaço video MAC / Panasonic pg 17 PR1715
1988
Aguilar
Existe um processo de cultura que é a cultura popular, que não é a pop art, é mais a cultura da fome, e a gente não chega perto, porque realmente não tem a linguagem própria, a linguagem vivencial para se exprimir (…). Existe um tipo de cultura que é cultura oficial. Esta cultura oficial é a cultura de fachada de uma superestrutura política e social e que entra componentes estéticos, valorações de mercado de arte e existe todo um jogo de praticamente vender a alma ao diabo, porque a verdade você está se expondo, você está se vendendo (…). Agora, existe um terceiro tipo de cultura, ou anti-cultura, ou o que você quiser chamar, porque é um problema da comunicação meio marginal, não marginal no sentido social, mas marginal no sistema de linguagens e de canais de comunicação de arte. Por exemplo, (…) quando eu estou falando que performance é um tipo de arte marginal dos canais de arte, é. É porque ninguém vende performance, (…) teu preço cai no mercado, é totalmente marginalizante.
Aguilar, pg 25. DT1479
1980
Emanuel
Nossa cultura é semi-oriental e semi-ocidental. Isso altera todo o processo. Não existe no Brasil a mesma visão departamentalizadora. O confronto específico entre teatro, cinema, performance, na verdade, a tendência na minha opinião é se mesclar num outro organismo.
Emanuel, pg 3, DT3601
1984
Aguilar
Toda a arte contemporânea se baseia principalmente no descondicionamento de uma postura acadêmica de arte, te leva mais para um questionamento de uma posição de cultura.
Aguilar pg 1 – FT0491
1980
Jack Boulton
Ela incorpora o videotape num contexto escultural, enaltecendo, de maneira superlativa, a capacidade que o video tem de fundir culturas e povos diferentes numa aldeia global!”
Jack Boulton, pg 3 CA808
1975
Acerca de obra de Nam June Paik presente na exposição VIDEO ART USA
Aguilar
A gente ta tentando fazer um negócio, uma cultura da inteligência.
Aguilar, pg 29. DT1479
1980