ARTES DE FRONTEIRA hibridismos e experimentações

Uma leitura expandida do material de PERFORMANCE e VIDEOARTE no Arquivo Multimeios do CCSP

Arquivo de dança

Silvia Fernandes Telesi

A performance se constitui como linguagem de soma, atingindo a interdisciplinaridade. (…) No teatro, as artes plásticas, a música e a dança organizam-se todas em função de um texto dramático. Na performance, ao contrário, elas se organizam através de processos de justaposição e conservam sua especificidade enquanto linguagens autônomas.

Silvia Fernandes Telesi, p.4, DT 3876

1990

Silvia Fernandes Telesi

A experimentação de linguagem fazia dos espetáculos [mais interessantes da década de 80] verdadeiros laboratórios de invenção de procedimentos cênicos. Todos tinham em comum a preocupação com o estudo e a pesquisa e denunciavam em cena o intenso trabalho de preparação teórica e prática que, subsidiando-os, fazia deles expressões artísticas de fronteira. Eles escapavam dos limites estreitos de uma arte única e se movimentavam com desenvoltura dentro de um amplo espectro de procedimentos, recorrendo à recursos de teatro, artes plásticas, música, dança, bem como às novas mídias representadas pelo video e por outros meios de eletronificação. Além disso, todos eles apresentavam uma estrutura fragmentária, bastante distante da relativa unidade dramática presente na maioria das peças em cartaz. Procurado uma pista para desvendar esse todo fragmentário de manifestações cênicas, que nos fornecesse um corpo teórico minimamente definido, encontramos a arte da performance.

Silvia Fernandes Telesi, p.2-3, DT 3876

1990

Ivald Granato

Na performance você pode reunir a música, a dança, é claro que pode, ela pode reunir tudo. Mas o mais interessante é você soltar o seu espírito criativo dentro dela, como ela falou [uma moça do público], eu acho que performance pode ter uma utilidade no seu trabalho, na sua atividade, te deixar mais livre. Eu acredito que a performance na minha vida foi muito importante, pra minha pintura. A minha pintura evoluiu, mas evoluiu muito com a performance, porque tem mais leveza pro corpo, a pintura sai mais solta, ficou melhor.

Ivald Granato p. 15. TR2507

1984

Lygia Arcuri Eluf

Tendo dançado por muitos anos como a figura principal na Companhia de Marta Graham [ícone da dança moderna nos EUA], Merce Cunningham logo abandonou o estilo dramático e narrativo de Graham, bem como sua dependência às marcações rítmicas da música. Como Cage, encontrava a música nos sons cotidianos de nosso “environment”, e também para ele, andar, correr, ficar de pé, pular e toda a gama de possibilidades de movimentos naturais poderia ser considerada dança.

Lygia Arcuri Eluf, p.16, DT 3604.

1987

QUE ARTE É ESSA?

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VIDEO ART USA

Em Lip Sync, um dos filmes mais antigos na presente exposição, Bruce Nauman, à semelhança de Acconci, fez uso de seu próprio corpo como matéria prima para criação de uma gestalt, numa tentativa de vincular a tradição escultural dos aspectos fenomenológicos da dança de vanguarda e de trabalhos congêneres, relacionados com a movimentação do corpo.

Notas sobre a exposição VIDEO ART USA, pg 10. CA080

1975

Lygia Arcuri Eluf

Manifestos e performances tem sido, desde os futuristas até hoje, a expressão dos discidentes que tentam encontrar outros meios de avaliar a experiência da arte no cotidiano, e suas relações com a cultura. Por essa razão, sua base tem sido quase sempre anárquica, e ainda mais através de sua própria natureza, a performance desafia uma definição precisa ou fácil, que fica sempre além da simples afirmação de que é “arte viva feita pelos artistas” (Roselee Goldberg). Qualquer outra definição mais rígida anularia a possibilidade de existência da própria performance, pois ela engloba livremente um grande número de referêcias tais como literatura, comunicação visual, cinema, teatro, dança, música, arquitetura, (…), pintura, escultura e fantasia. Pode-se dizer que nenhuma forma de expressão artística tenha um âmbito tão sem limites. Cada performer cria seu próprio processo, com sua definição e a maneira de execução próprias. De manifestos que acompanham grande parte desse trabalho, estabelecem uma ‘moldura’ e uma visão utópica de uma arte abrangente, que nenhuma pintura, escultura ou qualquer outra forma  de manifestação artística pode desejar conseguir por si só.

Lygia Arcuri Eluf, pg 2 e 3. DT3604

pesquisa finalizada em 1987

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