ARTES DE FRONTEIRA hibridismos e experimentações

Uma leitura expandida do material de PERFORMANCE e VIDEOARTE no Arquivo Multimeios do CCSP

Arquivo de década de 60

Lygia Arcuri Eluf

Objetos e materiais tornavam-se protagonistas metafóricos nas performances de Joseph Beuys. Na Galeria Schmela, em Düsseldorf, em 1965, Beuys, com a cabeça coberta de mel e folheada a ouro, caminhava silencioso pela exposição de seus desenhos e pinturas carregando uma lebre morta no colo. Então, sentou-se num banco num canto escondido e começou a explicar ao animal morto o significado de seus trabalhos: “porque eu realmente não gosto de explicá-los para as pessoas” e “mesmo numa lebre morta existe mais sensibilidade e conhecimento instintivo que em alguns homens com sua racionalidade ‘stubborn’ [obstinada]”.

Lygia Arcuri Eluf,   p.24, DT 3604.

1987

Lygia Arcuri Eluf

Nos dois últimos anos da década de 60 e no início da seguinte, a performance refletiu a rejeição da arte conceitual aos materiais tradicionais como tela, pincel, carvão, etc. Os performers utilizavam o próprio corpo como material.

Lygia Arcuri Eluf, p.31, DT 3604.

1987

Wolf Vostell

Inicialmente, o Fluxos era um estado de espírito, um modo de ser mais forte que o do happenig. O Fluxos expandiu-se amplamente nos primórdios dos anos 60, a pesar de, historicamente, situar-se após o happenig. Penso também que sem o happenig o Fluxos não teria ocorrido. Foi a variedade de sua estética musical que nos aproximou do Fluxos, este modo de interpretar, que ia da música de ação, de vida, de pensamento à música de “colagem”, à música de comportamento até a música invisível. Este espectro que concebe a vida não somente como uma obra de arte – como mencionei em 1961: a vida é uma obra de arte, a obra de arte é a vida -, mas que concebe a vida inteira como uma música, como um processo musical. É a filosofia em relevo do Fluxos(…).

Wolf Vostell  - Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 319. DT3599

1983

Walter Zanini

A abordagem do video, desde a década passada, vem sendo realizada pelos artistas ao menos em três áreas distintas:

1) pela manipulação técnica do fluxo de imagens eletrônicas convertidas em significantes “abstratos”;

2) pelo tratamento do VT como elemento de instauração ambiental;

3) pelas virtualidades que oferece à atividade do produtor na percepção da realidade enquanto fenômeno auto-expressivo e/ou social.

 

Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810

1978

VIDEO ART USA

 Um dos “poetas concretistas” de Nova York no início da década de 60, Vito Acconci passou a gozar de maior fama através de suas peças de caráter acentuadamente pessoal, batizadas, na época, de “arte corporal”. O uso desenfreado de material autobiográfico, em forma estilizada e a exploração quase violenta do próprio corpo tem exercido forte influência tanto sobre suas apresentações ao vivo como sobre suas instalações esculturais.

Notas sobre a exposição VIDEO ART USA, pg 10. CA080

1975

David A Ross

Até 1965, os instrumentos do campo da televisão eram usados quase que exclusivamente pelas grandes firmas e pelos grandes partidos políticos para efetuar a transmissão unidirecional de informação previamente elaborada, nenhuma possibilidade havendo de que os mesmos instrumentos e o mesmo sistema de transmissão fossem usados para comunicações que viessem ao encontro das necessidades do indivíduo. A “revolução da meia polegada” abriu a possibilidade de se utilizarem sistemas de distribuição  descentralizados adaptados às necessidades de minorias numa sociedade pluralista, como, por exemplo, a televisão à cabo. Essa revolução também ampliou extraordinariamente o potencial do vídeo como um meio para a produção de arte.

Mais ou menos naquela mesma época, as atividades do grupo Fluxus e os happenigs organizados por artistas como Kaprow , Oldenburg e Dine, iam contribuindo para uma atitude mais aberta com relação a obras interdisciplinares e salientando a necessidade de uma arte mais informada pela cultura e mais capaz de informá-la.

David A Ross, pg 6. CA080

1975

Aguilar

 A videoarte começou principamente nos anos 60, mais ou menos. Teve sua origem quando a Sony lançou o primeiro aparelho portátil de televisão.

Aguilar, pg 1 – FT0491

1980

Aguilar

A videoarte, num determinado sentido, agregou todos os artistas contemporâneos da vanguarda. (falando da década de 60)

Aguilar, pg 1 FT0491

1980

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