ARTES DE FRONTEIRA hibridismos e experimentações
Uma leitura expandida do material de PERFORMANCE e VIDEOARTE no Arquivo Multimeios do CCSPArquivo de espaço
Roberto Bicelli
A performance acaba sendo extremamente estimulante e é isso que o artista quer no fundo. No fundo o artista quer estimular as pessoas para elas transformarem a vida, transformarem o cotidiano numa obra de arte. Neste sentido, eles transformam o próprio corpo numa obra de arte, o próprio espaço numa obra de arte e, portanto, a consciência do público também é tomada por essa obra de arte. A maneira do público interagir com isso é se tornar artista também.
Roberto Bicelli, p.14, TR 2021
1985
Walter Silveira
O video deixou de ser aquele programa com começo, meio e fim para ser uma coisa em que a discussão do espaço/tempo está mais embutida no trabalho. O lugar de colocação desses trabalhos seria nas galerias, nos museus, no Centro Cultural e em festivais.
Walter Silveira, p. 4, TR2133
1990
Lygia Arcuri Eluf
Em 1936, Albers chamou seu colega da Bauhaus Xanti Schawinsky para ajudá-lo. Como lhe foi dada liberdade para criar seu próprio programa, Schawinsky logo delineou seus estudos de performances como uma extensão das experimentações que haviam sido feitas na Bauhaus. “Esse curso não é nenhum treino para nenhum tipo especial de teatro contemporâneo; é um estudo geral de um fenômeno fundamental: espaço, cor, forma, luz, som, movimento, música, tempo; é um método educacional que almeja o intercâmbio com as artes e ciências usando o palco como laboratório e lugar para a ação e experimentação; o trabalho que realizamos é um conceito pictórico formal; é um teatro visual”, explicou Schawinsky.
Lygia Arcuri Eluf, p.13-14, DT 3604.
1987
Lygia Arcuri Eluf
[Schlemmer] Em suas pinturas e performances experimentais a pesquisa fundamental era com o espaço. A pintura delineava os elementos do espaço, enquanto que as performances propiciavam uma experiência, uma vivência de espaço.
Lygia Arcuri Eluf pág 12, DT 3604.
1987
Sonia Salzstein
(…) artista e obra aqui no Brasil devem lutar contra a corrente grossa de comerciantes semi-ignorantes que são os marchands (fato que implica na inexistência de um eventual apoio da entidade privada à produção de vanguarda (…); contra a carência de espaços públicos e privados(…); contra a inexistência de qualquer núcleo aglutinador voltado para a pesquisa em arte (…) e enfim a própria ausência de uma entida de artistas em torno das mesmas preocupações e objetivos.
O saldo, portanto, da arte experimental no Brasil atualmente, deve ser o remanescente débil dessas adversidades.
Sonia Salzstein p. 2 e 3. DT1834
1978
Walter Zanini
No Brasil, a linguagem do video tem sido geralmente uma ação programada pelo artista, valendo-se do sistema portátil de 1/2 polegada. Performances de auto-análise, intervenções na tela do televisor, análises das condições de vivência do meio e ainda registros de atividades conceptuais que exploram o espaço/tempo do video assinalam uma parte essencial desse processo.
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Cacilda Teixeira da Costa
As instalações de video ficaram cada vez mais complexas e constituem certamente a possibilidade mais rica que se oferece hoje aos artistas que trabalham com video no circuito de galerias e museus. Essas instalações, quando elas realmente estão bem realizadas, quando elas têm arte, quando elas servem como meio de alguma coisa, têm um significado (…), elas estabelecem um diálogo entre espaço e tempo em todos os aspectos (a luz, o som, a cor), as possibilidades diferentes de percepção da imagem se integram. A instalação não é o que mostra o video nem é o que você ouve, mas seria você conseguir uma integração entre todos esses aspectos e, principalmente, essa possibilidade diferente da percepção.
Cacilda Teixeira da Costa, p.11, TR 2130
1990