ARTES DE FRONTEIRA hibridismos e experimentações

Uma leitura expandida do material de PERFORMANCE e VIDEOARTE no Arquivo Multimeios do CCSP

Arquivo de Fluxos

FLUXUS IS IT FLUXUS?

FLUXUS 1 DETALHE - MS 5200 SMALFLUXUS 1 DETALHE 2 - MS 5200

FLUXUS 2 FULL - MS 5200 SMALFLUXUS 3 FULL - MS 5200 SMALFLUXUS 4 FULL - MS 5200 SMAL

Wolf Vostell

Apresentamos o Fluxos como o primeiro grupo sem lista de nomes. Quem quisesse pertencer a ele, decidiria por si mesmo.

Wolf Vostell – Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 320. DT3599

1983

Wolf Vostell

(…) Nos inspirávamos mais no Dadaísmo ou no Futurismo e chegávamos a um gênero de música de ação, a concertos de ação. Os americanos compreenderam a mesma coisa com Jonh Cage.

Wolf Vostell – Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 321. DT3599

1983

Wolf Vostell

Os fenômenos que descrevemos aparecem pela primeira vez em nossa geração como prodígios. Senão, como poderia eu ter interpretado o aparelho da televisão como escultura, o acidente de carro como fato esculpido?

Wolf Vostell – Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 320. DT3599

1983

Wolf Vostell

A vanguarda descobre sempre épocas esquecidas que não fascinam mais a sociedade burguesa e que não podem mais ser, por assim dizer, exemplos. Ora, mostramos que os rituais das minorias são exemplos notáveis, são reflexos do humanismo e da expressão da liberdade humana.

Wolf Vostell – Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 320. DT3599

1983

Wolf Vostell

Este é um ponto importante do Fluxos: transformar as coisas da vida e do homem, aparentemente indígnas da arte, em objetos de arte.

Wolf Vostell – Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 320. DT3599

1983

Wolf Vostell

O Fluxos (…) desmascarou as afetações da sociedade. Por esse motivo, a sociedade em sua totalidade é contra tais manifestações da arte, porque elas perturbam os sistemas de valores

Wolf Vostell – Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 320. DT3599

1983

Wolf Vostell

Direi mesmo que a forma do happenig e do Fluxos é, no melhor dos casos, a consagração da vida.

Wolf Vostell – Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 320. DT3599

1983

O elemento importante do happenig e do Fluxos parece-me ser o fato de que os artistas ocidentais, americanos e europeus, sugeriram, celebraram e estilizaram na hora certa o ritual europeu, o ritual da indústria ocidental pelo caminho dos rituais africanos. Vários dos meus happenigs eram a ritualização de circunsâncias da vida que, nesta época, apareciam como problemas atuais. O culto do automóvel, o culto da televisão, o culto da aviação. (…) Minha geração cresceu praticamente com esses fenômenos e fez deles rituais.

Wolf Vostell – Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 320. DT3599

1983

Wolf Vostell

Minha contribuição ao Fluxos é a extensão do conceito de vida. A vida recebe novo significado quando é conscientemente composta e quando se trabalha conscientemente nisso.

Wolf Vostell – Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 319. DT3599

1983

Wolf Vostell

O artista não age mais somente diante do público, mas com o público. Isto é, as obras de arte, sejam música, ambientes ou ações, são vivas. É um ponto totalmente crucial, segundo Picasso. A arte vive e toma forma por um instante, identifica-se ao sistema nervoso do ser humano. Somente a partir do fluxos todos os sentidos e o corpo são envolvidos.

Wolf Vostell – Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 319. DT3599

1983

Wolf Vostell

A música Fluxos não é uma música feita a partir de sons como era mais ou menos a música concreta dos franceses após 1945: circulavam com um gravador e gravavam os barulhos da rua. O Fluxos também nada tem haver com a música sintética como era produzida por Stockhausen em sua música eletrônica. São procedimentos musicais que nascem ou são produzidos através de uma ação artística, seja viva, seja carregada de imagens. Quer dizer que, durante a maior parte do tempo, o procedimento visual e acústico constitui simultaneamente um acontecimento único, e o efeito visual não deve ser dissociado do Fluxos. Assim, quando ocorre um concerto de Fluxos, o visual é um elemento muito importante, é apenas à partir do procedimento visual que o ruído tornou-se possível. No fundo, é uma música “livre” criada por procedimentos “live”: música de acontecimentos!

Wolf Vostell – Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 319. DT3599

1983

Wolf Vostell

Foi minha ascensão no Fluxos: interpretar como fragmento musical os barulhos estranhos de minhas ações, como o arrancar de painéis de anúncio, a destruição de um aparelho de televisão, a demolição de uma casa com o auxílio de um martelo pendular, os ruídos de uma parede desabando. Essa é a música que nasceu das ações da de-colagem.

Wolf Vostell – Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 319. DT3599

1983

Wolf Vostell

A pretensão de que tudo possa ser música é a proeza do Fluxos, assim como sua unidade.

Wolf Vostell – Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 319. DT3599

1983

Wolf Vostell

Inicialmente, o Fluxos era um estado de espírito, um modo de ser mais forte que o do happenig. O Fluxos expandiu-se amplamente nos primórdios dos anos 60, a pesar de, historicamente, situar-se após o happenig. Penso também que sem o happenig o Fluxos não teria ocorrido. Foi a variedade de sua estética musical que nos aproximou do Fluxos, este modo de interpretar, que ia da música de ação, de vida, de pensamento à música de “colagem”, à música de comportamento até a música invisível. Este espectro que concebe a vida não somente como uma obra de arte – como mencionei em 1961: a vida é uma obra de arte, a obra de arte é a vida -, mas que concebe a vida inteira como uma música, como um processo musical. É a filosofia em relevo do Fluxos(…).

Wolf Vostell  - Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 319. DT3599

1983

Gino Di Maggio

AVISOS AO VISITANTE

NÃO É NECESSÁRIO VISITAR A EXPOSIÇÃO

UMA EXPOSIÇÃO FLUXOS NUNCA É UMA EXPOSIÇÃO FLUXOS

FLUXOS É TROCAR AS OBRAS SEM DIFICULDADE

O PROFISSIONALISMO NÃO TEM NADA HAVER COM FLUXOS

FLUXOS É TAMBÉM NÃO OUVIR A MÚSICA FLUXOS

PARA SER FLUXOS É SÓ DIZER SOU FLUXOS

SÃO FLUXOS TAMBÉM AQUELES QUE NÃO SABEM QUE SÃO FLUXOS

 

Gino Di Maggio – Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo pg 316. DT3599

1983

David A Ross

Até 1965, os instrumentos do campo da televisão eram usados quase que exclusivamente pelas grandes firmas e pelos grandes partidos políticos para efetuar a transmissão unidirecional de informação previamente elaborada, nenhuma possibilidade havendo de que os mesmos instrumentos e o mesmo sistema de transmissão fossem usados para comunicações que viessem ao encontro das necessidades do indivíduo. A “revolução da meia polegada” abriu a possibilidade de se utilizarem sistemas de distribuição  descentralizados adaptados às necessidades de minorias numa sociedade pluralista, como, por exemplo, a televisão à cabo. Essa revolução também ampliou extraordinariamente o potencial do vídeo como um meio para a produção de arte.

Mais ou menos naquela mesma época, as atividades do grupo Fluxus e os happenigs organizados por artistas como Kaprow , Oldenburg e Dine, iam contribuindo para uma atitude mais aberta com relação a obras interdisciplinares e salientando a necessidade de uma arte mais informada pela cultura e mais capaz de informá-la.

David A Ross, pg 6. CA080

1975

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