ARTES DE FRONTEIRA hibridismos e experimentações

Uma leitura expandida do material de PERFORMANCE e VIDEOARTE no Arquivo Multimeios do CCSP

Arquivo de happening

Roberto Bicelli

[Performance] é uma modalidade que se fixa cada vez mais, adquirindo contornos próprios, apesar de todas as aproximações que você possa fazer com teatro, com happening, com música, com uma série de outras coisas. É uma modalidade muita viva que possibilita uma participação eloqüente do artista junto ao público.

Roberto Bicelli, p.8, TR 2021

1985

Wolf Vostell

Direi mesmo que a forma do happenig e do Fluxos é, no melhor dos casos, a consagração da vida.

Wolf Vostell – Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 320. DT3599

1983

O elemento importante do happenig e do Fluxos parece-me ser o fato de que os artistas ocidentais, americanos e europeus, sugeriram, celebraram e estilizaram na hora certa o ritual europeu, o ritual da indústria ocidental pelo caminho dos rituais africanos. Vários dos meus happenigs eram a ritualização de circunsâncias da vida que, nesta época, apareciam como problemas atuais. O culto do automóvel, o culto da televisão, o culto da aviação. (…) Minha geração cresceu praticamente com esses fenômenos e fez deles rituais.

Wolf Vostell – Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 320. DT3599

1983

Wolf Vostell

Assim como no começo do século, a escultura africana desencadeou o cubismo, sem dúvida uma parcela dos grupos de happenig foi exposta à influência dos ritos africanos ou asiáticos, ou ao budismo e ao zen. De minha parte, repartiria essas duas influências equitativamente.(…) Nos anos 50, vi muitos filmes em Paris sobre os rituais da África e da América do Norte. Rituais estes em que o homem se apropria do mundo. (…)

Wolf Vostell – Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 319/320. DT3599

1983

Wolf Vostell

Inicialmente, o Fluxos era um estado de espírito, um modo de ser mais forte que o do happenig. O Fluxos expandiu-se amplamente nos primórdios dos anos 60, a pesar de, historicamente, situar-se após o happenig. Penso também que sem o happenig o Fluxos não teria ocorrido. Foi a variedade de sua estética musical que nos aproximou do Fluxos, este modo de interpretar, que ia da música de ação, de vida, de pensamento à música de “colagem”, à música de comportamento até a música invisível. Este espectro que concebe a vida não somente como uma obra de arte – como mencionei em 1961: a vida é uma obra de arte, a obra de arte é a vida -, mas que concebe a vida inteira como uma música, como um processo musical. É a filosofia em relevo do Fluxos(…).

Wolf Vostell  - Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 319. DT3599

1983

Milan Knizac

Não é arte, nem não-arte, cada não-arte sendo apenas uma anti-arte. Somente uma atividade. Atividade muito importante para o homem, não para a arte. Por isso os mais sérios críticos de arte não podem compreender os princípios da mesma.

Milan Knizac – Catálogo geral 17ª bienal de São Paulo. pg 318. DT3599

1983

(sobre o happening)

Giuseppe Chiari

O que é um happenig? Assumir um ato que se faz habitualmente, na vida diária, de modo distraído, quase sem perceber, como um ato significante.

Giuseppe Chiari – Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 318 .DT3599

1983

Walter Zanini

Vostell, através de intensa atuação intersemiótica, incluía a pesquisa de TV em happenigs e environments, estimulado pelo problema da ausência de feed back do media e na sua utilização coletiva enquanto recurso psíquico-estético.

Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810

1978

David A Ross

Até 1965, os instrumentos do campo da televisão eram usados quase que exclusivamente pelas grandes firmas e pelos grandes partidos políticos para efetuar a transmissão unidirecional de informação previamente elaborada, nenhuma possibilidade havendo de que os mesmos instrumentos e o mesmo sistema de transmissão fossem usados para comunicações que viessem ao encontro das necessidades do indivíduo. A “revolução da meia polegada” abriu a possibilidade de se utilizarem sistemas de distribuição  descentralizados adaptados às necessidades de minorias numa sociedade pluralista, como, por exemplo, a televisão à cabo. Essa revolução também ampliou extraordinariamente o potencial do vídeo como um meio para a produção de arte.

Mais ou menos naquela mesma época, as atividades do grupo Fluxus e os happenigs organizados por artistas como Kaprow , Oldenburg e Dine, iam contribuindo para uma atitude mais aberta com relação a obras interdisciplinares e salientando a necessidade de uma arte mais informada pela cultura e mais capaz de informá-la.

David A Ross, pg 6. CA080

1975

João Teixeira Coelho Neto

No happening você não tem o projeto, você só tem um ponto de partida. A performance você tem um projeto estipulado.

João Teixeira Coelho Neto, pg 2, DT3602

1984

Artur Matuck

A grande diferença é que a performance é fechada, é definida, tem um projeto. E o happening você tem uma idéia, é aquela coisa livre, que conforme foi, surge. O happening nunca pode ser repetido. A performance sim.

Artur Matuck, pg 1 DT3602

1984

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