ARTES DE FRONTEIRA hibridismos e experimentações

Uma leitura expandida do material de PERFORMANCE e VIDEOARTE no Arquivo Multimeios do CCSP

Arquivo de história

Wesley Duke Lee

[Falando da época de Luiz XV] Tinha um barco com uma equipe de marinheiros venezianos fixa, que montava todo dia  o barco e velejeva, fazia a viagem e voltava. Todo dia a mesma viagem. Se de repente você passa na janela, tem um barco passando. Então, janela para eles era outro conceito também, é um quadrinho vivo do mundo. Não é como hoje, os arquitetos modernos não sabem nada pra que serve a janela. Então, isto tudo você pensa, vai lentamente desembocar na performance. Então é uma história mais comprida, mais sutil. E estão faltando dados para você estudar e para os que querem fazer… Eles estão achando que é uma coisa contemporânea e não é uma coisa contemporânea. Ela tem uma grande tradição.

Wesley Duke Lee    p.3 e 4. TR 2024

1985

Gabriel Borba Filho

O que torna o trabalho de arte sério é a história, seja pela historização do objeto em si, uma tela que fica famosa, seja pela historização do modelo. (…) A performance não se faz história. Primeiro, ela é um fato efêmero, de modo que ela não tem condição de se fazer histórica a não ser pelo rumo e pela documentação.

Gabriel Borba Filho, p.7-8, TR 2025

1985

Walter Zanini

Fluxus é história, mas também é presente; em suas performances desenvolveram diversos conceitos de arte, conduzidos pela idéia da participação do público, conscientizando-o de que as ações do Fluxus estão ao alcance de qualquer um.

Walter Zanini, Catálogo da 17ª Bienal, 1983

in Lygia Arcuri Eluf, p.22, DT 3604.

1987

Lygia Arcuri Eluf

As primeiras performances futuristas foram mais manifestos do que propriamente ação. Mais propaganda do que real produção. (…)

Sua história começa em 1909 em Paris, mais precisamente em 20 de fevereiro de 1909, com a publicação do 1º Manifesto Futurista no jornal Le Figaro. Seu autor, o poeta italiano Fellipo Tommaso Marinetti escolheu o público parisiense como alvo de seu manifesto de “violência incendiária”. (…)

Seguiram-se, então, as noites futuristas, nas quais Marinetti esbravejava contra o culto da tradição e comercialização da arte.

Lygia Arcuri Eluf   pág 4-5. DT3604.

1987

Lygia Arcuri Eluf

Na tentativa de reconstrução dessa trajetória, surgem dois pontos fundamentais. Primeiro, que os artistas sempre se utilizaram da performance como um entre os muitos meios de expressar suas idéias, como, por exemplo, as experimentações e “quadros vivos” de Leonardo Da Vinci, feitas para uma platéia convidada (…). Em segundo lugar, é importante lembrar que estes eventos foram deixados de lado do processo de avaliação da história oficial da arte mais pela dificuldade encontrada em enquadrá-los dentro desse processo do que por simples omissão.

Lygia Arcuri Eluf   pág 2. DT 3604.

1987

Wolf Vostell

Inicialmente, o Fluxos era um estado de espírito, um modo de ser mais forte que o do happenig. O Fluxos expandiu-se amplamente nos primórdios dos anos 60, a pesar de, historicamente, situar-se após o happenig. Penso também que sem o happenig o Fluxos não teria ocorrido. Foi a variedade de sua estética musical que nos aproximou do Fluxos, este modo de interpretar, que ia da música de ação, de vida, de pensamento à música de “colagem”, à música de comportamento até a música invisível. Este espectro que concebe a vida não somente como uma obra de arte – como mencionei em 1961: a vida é uma obra de arte, a obra de arte é a vida -, mas que concebe a vida inteira como uma música, como um processo musical. É a filosofia em relevo do Fluxos(…).

Wolf Vostell  - Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 319. DT3599

1983

Walter Zanini

A história da videoarte, portable production, demonstrou o quanto a criatividade de seus autores esbarrou na indiferença e na hostilidade dos receptores. Incompreensível, aborrecível, desinteressante, inócua, eram e são adjetivos habituais a que se acrescenta a sua subestimação motivada pelos chamados “defeitos” ou “enganos” técnicos, que contrastam com a perfeição e a sofisticação da tela fosforescente da televisão de estúdio. Alguns teóricos do video têm assinalado que o “aborrecimento” do video não seria maior que o da TV comercial, a cujos programas intercalados intermitentemente por interrupções de propaganda, promoções da estação, spots, etc., todos, porém, bem ou mal se acostumaram.

Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810

1978

Lygia Arcuri Eluf

Para uma retomada histórica da mídia performance, são necessários textos, fotografias, filmes ou depoimentos verbais de pessoas que delas participaram ou a elas assistiram. Só assim pode-se recostituir o que existiu uma vez para ser visto e ouvido (vivido apenas uma vez).

Na tentativa de recosntrução dessa trajetória, surgem dois pontos fundamentais. Primeiro, que os artistas sempre se utilizam da performance como um entre muitos meios de expressar suas idéias (…). Em segundo lugar, é importante lembrar que estes exemplos foram deixados de lado do processo de avaliação da história oficial da arte mais pela dificuldade encontrada em enquadrá-los dentro desse processo do que por simples omissão.

Lygia Arcuri Eluf, pg 2 DT3604

Lygia Arcuri Eluf

“A performance tem sido usada como meio de dar vida às idéias formais  e conceituais nas quais o fazer artístico se encontra fundamentado. Também tem sido usada muitas vezes como forma de cotestar as convenções da arte oficial. Dentro da história das vanguardas do século XX a performance tem sido ‘a vanguarda das vanguardas’ (Roselee Goldberg – in, Live Art 1909 to the present)”.

Lygia Arcuri Eluf, pg 2 DT3604

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