ARTES DE FRONTEIRA hibridismos e experimentações

Uma leitura expandida do material de PERFORMANCE e VIDEOARTE no Arquivo Multimeios do CCSP

Arquivo de meio

Silvia Fernandes Telesi

A experimentação de linguagem fazia dos espetáculos [mais interessantes da década de 80] verdadeiros laboratórios de invenção de procedimentos cênicos. Todos tinham em comum a preocupação com o estudo e a pesquisa e denunciavam em cena o intenso trabalho de preparação teórica e prática que, subsidiando-os, fazia deles expressões artísticas de fronteira. Eles escapavam dos limites estreitos de uma arte única e se movimentavam com desenvoltura dentro de um amplo espectro de procedimentos, recorrendo à recursos de teatro, artes plásticas, música, dança, bem como às novas mídias representadas pelo video e por outros meios de eletronificação. Além disso, todos eles apresentavam uma estrutura fragmentária, bastante distante da relativa unidade dramática presente na maioria das peças em cartaz. Procurado uma pista para desvendar esse todo fragmentário de manifestações cênicas, que nos fornecesse um corpo teórico minimamente definido, encontramos a arte da performance.

Silvia Fernandes Telesi, p.2-3, DT 3876

1990

Walter Zanini

A 1ª exposição de 1976 do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, será inaugurada a 18 de janeiro próximo, na Kresge Art Center Gallery, da Universidade de Michigan. (…) Decidiu o Museu enviar uma delegação composta por 15 artistas que pesquisam novos meios de comunicação. (…) Participarão da mostra Anna Bella Geiger, Julio Plaza, Regina Scalzilli Silveira, Cildo Meirelles, Barrio, Carlos Zilio, Gabriel Borba, Artur Matuck, Marcello Nitsche, José Roberto Aguilar, Paulo Herkenhoff, Ivens Machado, Bené Fonteles, Sonia Miranda e Gabriel Georges Bonduki. (…) Nenhum deles está imobilizado em determinado tipo de técnica. A maioria propende para os processos que estão redimensionando a fenomenologia da imagem, ou seja, aqueles que se desenvolvem no tempo. Mas a instauração da mensagem no espaço é sempre objeto de preocupação para todos. Eles utilizam a fotografia, o silk-screen e outras modalidades de impressão, o filme 8 mm, o diapositivo e raramente, por hora, o vídeo, pesquisando suas disponibilidades expressivas intrínsecas ou valendo-se deles como registro de ação. Nesta atividade dialetizam o conhecimento intermitentemente construtivo/destrutivo da época que vivemos.

Walter Zanini, p.1-2, DT 2600

1975

Lygia Arcuri Eluf

A transcrição metódica de Schlemmer de um meio para o outro: ele mudava da superfície bidimensional para a plástica (relevos e esculturas) e para uma arte plástica do corpo humano.

Lygia Arcuri Eluf  pág 12, DT 3604.

1987

Lygia Arcuri Eluf

Na tentativa de reconstrução dessa trajetória, surgem dois pontos fundamentais. Primeiro, que os artistas sempre se utilizaram da performance como um entre os muitos meios de expressar suas idéias, como, por exemplo, as experimentações e “quadros vivos” de Leonardo Da Vinci, feitas para uma platéia convidada (…). Em segundo lugar, é importante lembrar que estes eventos foram deixados de lado do processo de avaliação da história oficial da arte mais pela dificuldade encontrada em enquadrá-los dentro desse processo do que por simples omissão.

Lygia Arcuri Eluf   pág 2. DT 3604.

1987

Walter Zanini

No Brasil, a linguagem do video tem sido geralmente uma ação programada pelo artista, valendo-se do sistema portátil de 1/2 polegada. Performances de auto-análise, intervenções na tela do televisor, análises das condições de vivência do meio e ainda registros de atividades conceptuais que exploram o espaço/tempo do video assinalam uma parte essencial desse processo.

Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810

1978

Walter Zanini

No que se refere à veiculação, é uma verdade óbvia que a informação do video, na mobilidade incomparável de seu trânsito, pode atender diferenciadas necessidades culturais contemporâneas com muito maior eficácia do que a setorização que aflige o produto artístico tradicional, situação que, entre nós, Waldemar Cordeiro insistia em esclarecer, na sua defesa radical do uso dos meios eletrônicos (…).

Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810

1978

VIDEO ART USA

Douglas Davis explora ao mesmo tempo o medo latente desse meio frio de comunicação e a sua natureza como meio de comunicação individual (ao invés de comunicação com um fictício público em massa).

Notas sobre a exposição VIDEO ART USA, pg 12. CA080

1975

Cacilda Teixeira da Costa

As instalações de video ficaram cada vez mais complexas e constituem certamente a possibilidade mais rica que se oferece hoje aos artistas que trabalham com video no circuito de galerias e museus. Essas instalações, quando elas realmente estão bem realizadas, quando elas têm arte, quando elas servem como meio de alguma coisa, têm um significado  (…), elas estabelecem um diálogo entre espaço e tempo em todos os aspectos (a luz, o som, a cor), as possibilidades diferentes de percepção da imagem se integram. A instalação não é o que mostra o video nem é o que você ouve, mas seria você conseguir uma integração entre todos esses aspectos e, principalmente, essa possibilidade diferente da percepção.

Cacilda Teixeira da Costa, p.11, TR 2130

1990

Cacilda Teixeira da Costa

Esses videos de artistas desde o começo foram muito difíceis de se colocar. A aspiração dos artistas era que eles fossem veiculados pela televisão comercial, mas isso é dificílimo. (…) A televisão comercial não é o meio, não é o canal para o video de artista. Assim, ele começou a ser veiculado no meio das artes, nas galerias, nos museus (…).

Cacilda Teixeira da Costa, p.2, TR 2130

1990

Cacilda Teixeira da Costa

Esses artistas [do video] se expressavam dentro algumas linhas principais: a significação abstrata, quer dizer, eles usavam meios eletrônicos, tecnológicos, etc. para pesquisar uma imagem abstrata de video de televisão. Uma outra tendência era a documentação, auto-expressiva e social, quer dizer, eles faziam performances que eram registradas em video e eles apresentavam como trabalho de video, mas na maioria das vezes eram performances e instalação ambiental que é o que hoje nós chamamos instalações de video.

Cacilda Teixeira da Costa, p.2, TR 2130

1990

Cacilda Teixeira da Costa

As instalações de video que estão interessando para vocês agora derivam da chamada videoarte, ou seja, o videotape usado por artistas como meio para expressão de sua arte. Começou no final dos anos 50 com Nan June Paik e Wolf Vostell.

Cacilda Teixeira da Costa, p.1, TR 2130

1990

David A Ross

Até 1965, os instrumentos do campo da televisão eram usados quase que exclusivamente pelas grandes firmas e pelos grandes partidos políticos para efetuar a transmissão unidirecional de informação previamente elaborada, nenhuma possibilidade havendo de que os mesmos instrumentos e o mesmo sistema de transmissão fossem usados para comunicações que viessem ao encontro das necessidades do indivíduo. A “revolução da meia polegada” abriu a possibilidade de se utilizarem sistemas de distribuição  descentralizados adaptados às necessidades de minorias numa sociedade pluralista, como, por exemplo, a televisão à cabo. Essa revolução também ampliou extraordinariamente o potencial do vídeo como um meio para a produção de arte.

Mais ou menos naquela mesma época, as atividades do grupo Fluxus e os happenigs organizados por artistas como Kaprow , Oldenburg e Dine, iam contribuindo para uma atitude mais aberta com relação a obras interdisciplinares e salientando a necessidade de uma arte mais informada pela cultura e mais capaz de informá-la.

David A Ross, pg 6. CA080

1975

David A Ross

O fato de que um número cada vez maior de artistas nos Estados Unidos vir trabalhando com os meios de produção para a televisão continua a causar perplexidade  não só entre os críticos como também no público em geral.

David A Ross pg 5. CA080

1975

Cacilda Teixeira da Costa

Aquele pessoal com quem eu trabalhei em 77, 78, eram artistas plásticos, geralmente artistas ligados ao movimento conceitual, que usavam o video como um meio, como eles usariam o papel, sei la, uma gravura ou uma fotografia, eles usavam o video. Nesse segundo momento em 86, dez anos depois, já era completamente diferente, era uma nova geração que a gente já não chamava mais de artistas, eles não eram mais artistas plásticos, eles eram videomakers, eles eram pessoas que trabalhavam com video (…) só que esses profissionais de video, os que eventualmente eram artistas, em algum momento eles deixavam de fazer uma coisa que não fosse só para vender e faziam um trabalho de expressão própria. E eu descobri uns trabalhos muito interessantes.

Cacilda Teixeira da Costa, pg 9.   TR2131

1990

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