ARTES DE FRONTEIRA hibridismos e experimentações
Uma leitura expandida do material de PERFORMANCE e VIDEOARTE no Arquivo Multimeios do CCSPArquivo de obra
Paulo Brusky
Performance, o Moraes define muito bem, quando ele fala do artista como motor da obra.
Na performance você reúne tudo, reúne teatro, artes plásticas, todas as correntes você sintetiza na performance. (…) a música, o cinema, tudo, vc sintetiza.
Paulo Brusky p. 2. TR 2022
1984
Roberto Bicelli
A performance acaba sendo extremamente estimulante e é isso que o artista quer no fundo. No fundo o artista quer estimular as pessoas para elas transformarem a vida, transformarem o cotidiano numa obra de arte. Neste sentido, eles transformam o próprio corpo numa obra de arte, o próprio espaço numa obra de arte e, portanto, a consciência do público também é tomada por essa obra de arte. A maneira do público interagir com isso é se tornar artista também.
Roberto Bicelli, p.14, TR 2021
1985
Videocriaturas
videocriatura XIPÓFAGA em CACHITO
Obra de Otavio Donasci
Evento de 80 anos da Pinacoteca de São Paulo”VIRADA DO SEC XX”
Fotografia do acervo do artista
1986
Wolf Vostell
O artista não age mais somente diante do público, mas com o público. Isto é, as obras de arte, sejam música, ambientes ou ações, são vivas. É um ponto totalmente crucial, segundo Picasso. A arte vive e toma forma por um instante, identifica-se ao sistema nervoso do ser humano. Somente a partir do fluxos todos os sentidos e o corpo são envolvidos.
Wolf Vostell – Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 319. DT3599
1983
Wolf Vostell
Inicialmente, o Fluxos era um estado de espírito, um modo de ser mais forte que o do happenig. O Fluxos expandiu-se amplamente nos primórdios dos anos 60, a pesar de, historicamente, situar-se após o happenig. Penso também que sem o happenig o Fluxos não teria ocorrido. Foi a variedade de sua estética musical que nos aproximou do Fluxos, este modo de interpretar, que ia da música de ação, de vida, de pensamento à música de “colagem”, à música de comportamento até a música invisível. Este espectro que concebe a vida não somente como uma obra de arte – como mencionei em 1961: a vida é uma obra de arte, a obra de arte é a vida -, mas que concebe a vida inteira como uma música, como um processo musical. É a filosofia em relevo do Fluxos(…).
Wolf Vostell - Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 319. DT3599
1983
Gino Di Maggio
AVISOS AO VISITANTE
NÃO É NECESSÁRIO VISITAR A EXPOSIÇÃO
UMA EXPOSIÇÃO FLUXOS NUNCA É UMA EXPOSIÇÃO FLUXOS
FLUXOS É TROCAR AS OBRAS SEM DIFICULDADE
O PROFISSIONALISMO NÃO TEM NADA HAVER COM FLUXOS
FLUXOS É TAMBÉM NÃO OUVIR A MÚSICA FLUXOS
PARA SER FLUXOS É SÓ DIZER SOU FLUXOS
SÃO FLUXOS TAMBÉM AQUELES QUE NÃO SABEM QUE SÃO FLUXOS
Gino Di Maggio – Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo pg 316. DT3599
1983
Walter Zanini
Os artistas do video exercem-se no plano da intersemioticidade. Sua atitude fundamental é a da renúncia aos contextos que privilegiam os atributos estéticos da arte. Idéia e signo são os referenciais de sua individuação aplicados no sentido interrogativo dos níveis da realidade. À finitude da obra tradicional opõem uma sistemática de trabalho alicerçada no continuum processual.
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Walter Zanini
A videoarte pertence à galáxia da multimídia, ou seja, às múltiplas produções de linguagem que se comportam em níveis operacionais completamente distintos daqueles que identificam a obra única, inserida nos contextos da cotaçao de mercado, não significando isso que um video-cassete ou um livro-de-artista não tenham um preço. É claro que eles o têm, mas nenhum paralelo poderia ser traçado aproximando a distância que separa essas duas realidades profundamente divergentes.
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Tadeu Jungle
O Brasil ainda encara o video como um objeto estranho. Hoje percebemos os empresários e publicitários mais conscientes do valor deste suporte eletrônico e notamos que no campo comercial o video cresce sem problemas. Isto sem falar no uso óbvio dentro da TV.
Não podemos dizer o mesmo da área cultural. Fazer arte em video, hoje e aqui, é obra sem causa. Não vamos nos aprofundar nos porquês: inexistência de espaços para veiculação; retorno comercial nulo; desprezo estético generalizado pela intelectualidade Brasiliana…
Tadeu Jungle – MAC Espaço video MAC / Panasonic pg 17 PR1715
1988
VIDEO ART USA
Douglas Davis ataca especificamente os conceitos vigentes sobre a passividade do expectador em relação tanto à televisão como à arte em geral.
Notas sobre a exposição VIDEO ART USA, pg 12. CA080
1975
Acerca da obra Austrian Tapes, do artista.
VIDEO ART USA
O desempenho do artista, a instalação escultural e a produção de um videotape fazem todos parte integrante da obra.
Notas sobre a exposição VIDEO ART USA, pg 11. CA080
1975
Acerca da obra Lip Sync de Bruce Nauman
David A Ross
Até 1965, os instrumentos do campo da televisão eram usados quase que exclusivamente pelas grandes firmas e pelos grandes partidos políticos para efetuar a transmissão unidirecional de informação previamente elaborada, nenhuma possibilidade havendo de que os mesmos instrumentos e o mesmo sistema de transmissão fossem usados para comunicações que viessem ao encontro das necessidades do indivíduo. A “revolução da meia polegada” abriu a possibilidade de se utilizarem sistemas de distribuição descentralizados adaptados às necessidades de minorias numa sociedade pluralista, como, por exemplo, a televisão à cabo. Essa revolução também ampliou extraordinariamente o potencial do vídeo como um meio para a produção de arte.
Mais ou menos naquela mesma época, as atividades do grupo Fluxus e os happenigs organizados por artistas como Kaprow , Oldenburg e Dine, iam contribuindo para uma atitude mais aberta com relação a obras interdisciplinares e salientando a necessidade de uma arte mais informada pela cultura e mais capaz de informá-la.
David A Ross, pg 6. CA080
1975
Cacilda Teixeira da Costa
Toda publicidade em televisão é extremamente influienciada pelas obras dos artistas, então, o que centenas de milhares de pessoas assistem na televisão, de uma certa forma é fruto de muita coisa que é criada por aqueles artistas cuja obra é passada no museu para um pequeno público.
Cacilda Teixeira da Costa, pg 12, TR2131
1990
(acerca de videoarte)
Hudnilson
A performance, a coisa do artista ser a obra, e não uma obra acabada, na parede da galeria, me instigava muito e me instiga muito. Eu fiz a primeira, não sei se vou fazer mais. Acredito que sim. A partir daí eu começo a discutir o que é performance para mim.
Hudnilson, pg 6, DT3601
1984
