ARTES DE FRONTEIRA hibridismos e experimentações
Uma leitura expandida do material de PERFORMANCE e VIDEOARTE no Arquivo Multimeios do CCSPArquivo de pesquisa
Silvia Fernandes Telesi
Os artistas da performance caracterizam-se como pesquisadores, “cientistas da arte”. Ao desenvolverem suas experimentações chegam a descobertas que são, posteriormente, aproveitadas pelas formas de arte mais tradicionais.
Silvia Fernandes Telesi, p.7, DT 3876
1990
Maria Isabel Garcia
Em 1982, o Sesc Pompéia promoveu o evento pioneiro “14 Noites de Performance” [organizado por Renato Cohen] que reuniu artistas de diversas áreas, todos comprometidos com a pesquisa de novos códigos de representação.
Maria Isabel Garcia, p.8, DT 3876
1990
Silvia Fernandes Telesi
A experimentação de linguagem fazia dos espetáculos [mais interessantes da década de 80] verdadeiros laboratórios de invenção de procedimentos cênicos. Todos tinham em comum a preocupação com o estudo e a pesquisa e denunciavam em cena o intenso trabalho de preparação teórica e prática que, subsidiando-os, fazia deles expressões artísticas de fronteira. Eles escapavam dos limites estreitos de uma arte única e se movimentavam com desenvoltura dentro de um amplo espectro de procedimentos, recorrendo à recursos de teatro, artes plásticas, música, dança, bem como às novas mídias representadas pelo video e por outros meios de eletronificação. Além disso, todos eles apresentavam uma estrutura fragmentária, bastante distante da relativa unidade dramática presente na maioria das peças em cartaz. Procurado uma pista para desvendar esse todo fragmentário de manifestações cênicas, que nos fornecesse um corpo teórico minimamente definido, encontramos a arte da performance.
Silvia Fernandes Telesi, p.2-3, DT 3876
1990
Lygia Arcuri Eluf
De acordo com Cage, para se entender o sentido da “renascença musical e a possibilidade de invenção” que havia acontecido por volta de 1935, deveria se retornar a Luigi Russolo, “A arte dos ruídos barulhentos” e Henry Cowell, ”Novas pesquisas musicais”. Ele também referendava seus leitores a McLuhan, Norman O.Brown, Fuller e Duchamp: “uma maneira de escrever música: estudar Duchamp”.
Lygia Arcuri Eluf, p.15, DT 3604.
1987
Lygia Arcuri Eluf
[Schlemmer] Em suas pinturas e performances experimentais a pesquisa fundamental era com o espaço. A pintura delineava os elementos do espaço, enquanto que as performances propiciavam uma experiência, uma vivência de espaço.
Lygia Arcuri Eluf pág 12, DT 3604.
1987
Sonia Salzstein
(…) artista e obra aqui no Brasil devem lutar contra a corrente grossa de comerciantes semi-ignorantes que são os marchands (fato que implica na inexistência de um eventual apoio da entidade privada à produção de vanguarda (…); contra a carência de espaços públicos e privados(…); contra a inexistência de qualquer núcleo aglutinador voltado para a pesquisa em arte (…) e enfim a própria ausência de uma entida de artistas em torno das mesmas preocupações e objetivos.
O saldo, portanto, da arte experimental no Brasil atualmente, deve ser o remanescente débil dessas adversidades.
Sonia Salzstein p. 2 e 3. DT1834
1978
Cacilda Teixeira da Costa
Esses artistas [do video] se expressavam dentro algumas linhas principais: a significação abstrata, quer dizer, eles usavam meios eletrônicos, tecnológicos, etc. para pesquisar uma imagem abstrata de video de televisão. Uma outra tendência era a documentação, auto-expressiva e social, quer dizer, eles faziam performances que eram registradas em video e eles apresentavam como trabalho de video, mas na maioria das vezes eram performances e instalação ambiental que é o que hoje nós chamamos instalações de video.
Cacilda Teixeira da Costa, p.2, TR 2130
1990
Jack Boulton
São três tipos de videotapes incluídos na exposição: aqueles de orientação sociológica, que documentam ou revelam certos aspéctos da nossa vida nacional, ou quais são ignorados ou tocados apenas superficialmente pela televisão comercial; que se concentram na pesquisa e manipulação das complexidades do potencial eletronico do meio e, finalmente, aqueles refletindo o período pós-arte mínima, os quais são utilizados pelos artistas para explorar ou transmitir preocupações estéticas de um teor mais amplo. Finalmente, a fim de chamar a atenção para a continuidade que existe entre a televisão regular e o video como arte, incluímos também, além do trabalho de colagem de Telethon, a obra de Ernie Kovacs que escrevia, dirigia e interpretava seus próprios programas(…).
Jack Boulton, pg 3 CA808
1975
Acerca da curadoria da exposição VIDEO ART USA