ARTES DE FRONTEIRA hibridismos e experimentações
Uma leitura expandida do material de PERFORMANCE e VIDEOARTE no Arquivo Multimeios do CCSPArquivo de processo
Walter Silveira
Eu gosto do video, eu gosto da imagem, dessa possibilidade de você ter a imagem, dessa imagem ser processada no tempo e você ter condições de trabalhar com o som também. O que fascina no video é a permanência ali do movimento da coisa, é você conseguir captar esse tipo de espontaneidade.
Walter Silveira, p. 9, TR 2133
1990
Silvia Fernandes Telesi
A performance se constitui como linguagem de soma, atingindo a interdisciplinaridade. (…) No teatro, as artes plásticas, a música e a dança organizam-se todas em função de um texto dramático. Na performance, ao contrário, elas se organizam através de processos de justaposição e conservam sua especificidade enquanto linguagens autônomas.
Silvia Fernandes Telesi, p.4, DT 3876
1990
Lygia Arcuri Eluf
Na tentativa de reconstrução dessa trajetória, surgem dois pontos fundamentais. Primeiro, que os artistas sempre se utilizaram da performance como um entre os muitos meios de expressar suas idéias, como, por exemplo, as experimentações e “quadros vivos” de Leonardo Da Vinci, feitas para uma platéia convidada (…). Em segundo lugar, é importante lembrar que estes eventos foram deixados de lado do processo de avaliação da história oficial da arte mais pela dificuldade encontrada em enquadrá-los dentro desse processo do que por simples omissão.
Lygia Arcuri Eluf pág 2. DT 3604.
1987
Wolf Vostell
Inicialmente, o Fluxos era um estado de espírito, um modo de ser mais forte que o do happenig. O Fluxos expandiu-se amplamente nos primórdios dos anos 60, a pesar de, historicamente, situar-se após o happenig. Penso também que sem o happenig o Fluxos não teria ocorrido. Foi a variedade de sua estética musical que nos aproximou do Fluxos, este modo de interpretar, que ia da música de ação, de vida, de pensamento à música de “colagem”, à música de comportamento até a música invisível. Este espectro que concebe a vida não somente como uma obra de arte – como mencionei em 1961: a vida é uma obra de arte, a obra de arte é a vida -, mas que concebe a vida inteira como uma música, como um processo musical. É a filosofia em relevo do Fluxos(…).
Wolf Vostell - Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 319. DT3599
1983
Walter Zanini
No Brasil, a linguagem do video tem sido geralmente uma ação programada pelo artista, valendo-se do sistema portátil de 1/2 polegada. Performances de auto-análise, intervenções na tela do televisor, análises das condições de vivência do meio e ainda registros de atividades conceptuais que exploram o espaço/tempo do video assinalam uma parte essencial desse processo.
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Walter Zanini
Os artistas do video exercem-se no plano da intersemioticidade. Sua atitude fundamental é a da renúncia aos contextos que privilegiam os atributos estéticos da arte. Idéia e signo são os referenciais de sua individuação aplicados no sentido interrogativo dos níveis da realidade. À finitude da obra tradicional opõem uma sistemática de trabalho alicerçada no continuum processual.
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Walter Zanini
O campo especulativo do video mistura-se com a substancialidade da TV na exploração da realidade. Mas sua problemática inverte o que passou a ser a necessidade condicionada de consumo do telespectador, ou descerra campos insuspeitados e imprevistos à utilização do tubo de raios catódicos. Suas origens estão sensivelmente na compreensão da arte enquanto fenômeno acoplado à existencialidade, da arte enquanto um processo de atividade e, portanto, não mais conduzida pela exigência física da produção de um objeto, da arte que se pressupõe como um sistema colocado na perspectiva dos meios mais válidos da comunicação do presente (…).
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Caroline Tscall e William Fever
A arte, em ambos os seus extremos, vai abrindo seu caminho entre mudanças imperativas e inovações urgentes. Num extremo está a arte que aceita um papel essencialmente passivo e descreve o mundo tal qual é. No outro, está a idéia de arte como estratégia, dando continuidade, de um modo bastante inevitável, ao processo criado por Duchamp, mas correndo continuamente o risco de crescer de fora para dentro.
Caroline Tscall e William Fever,
in Herbert Read, História da Pintura Moderna
in Lygia Arcuri Eluf, Performance, pg 1. DT 3604
Emanuel
Mais interessante que isso, eu acho que é esse processo de destacar a realidade, destacar o processo artístico como um fragmento de realidade.
Emanuel, pg 9, DT3601
1984
Sobre performance e discussão da irrepetibilidade
Aguilar
Vocês estão sentados aí e a gente a tentando descongelar alguma comida que está totalmente congelada e explicar para todo mundo ter uma boa média e voltar com o cabedal conceitual um pouco mais rico. Mas na medida que se conceitua sobre processo de performance, a gente ta fazendo a anti-performance num determinado sentido, porque performance é justamente o tempo. É a tecitura nervosa do momento (…), cada missa é uma performance. E depois, se você chamar o padre, o sacerdote ou o papa para discutir sobre a performance dele, já parte do sagrado para o profano.
Aguilar, pg 7. DT1479
1980
Aguilar
A performance é uma coisa que acontece no ato, com as vibrações energéticas nervosas, do sistema nervoso daquele momento. Depois, para ela se perpetuar, existe todo um processo arqueológico que consiste em registrar em video ou em fotografia e uma forma mais interessante ainda do processo arqueológico são os vestígios da performance.
Aguilar, pg 7. DT1479
1980
Gabriel Borba Filho
A performance é realmente uma demonstraçãodo processo, do procedimento do artista.
Gabriel Borba Filho, pg 4 DT1479
1980
Lygia Arcuri Eluf
Para uma retomada histórica da mídia performance, são necessários textos, fotografias, filmes ou depoimentos verbais de pessoas que delas participaram ou a elas assistiram. Só assim pode-se recostituir o que existiu uma vez para ser visto e ouvido (vivido apenas uma vez).
Na tentativa de recosntrução dessa trajetória, surgem dois pontos fundamentais. Primeiro, que os artistas sempre se utilizam da performance como um entre muitos meios de expressar suas idéias (…). Em segundo lugar, é importante lembrar que estes exemplos foram deixados de lado do processo de avaliação da história oficial da arte mais pela dificuldade encontrada em enquadrá-los dentro desse processo do que por simples omissão.
Lygia Arcuri Eluf, pg 2 DT3604