ARTES DE FRONTEIRA hibridismos e experimentações

Uma leitura expandida do material de PERFORMANCE e VIDEOARTE no Arquivo Multimeios do CCSP

Arquivo de sistema

Sonia Salzstein

Pretendo significar por experimental todos os eventos artísticos que tenham por objetivo a criação de linguagens alternativas, desvinculadas dos códigos manipulados e sempre manipuláveis do sistema da arte oficial, e que tragam subjacente à sua concepção a discussão da própria natureza da arte.

Sonia Salzstein   p.1.   DT 1834

1978

Wolf Vostell

O Fluxos (…) desmascarou as afetações da sociedade. Por esse motivo, a sociedade em sua totalidade é contra tais manifestações da arte, porque elas perturbam os sistemas de valores

Wolf Vostell – Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 320. DT3599

1983

Walter Zanini

No Brasil, a linguagem do video tem sido geralmente uma ação programada pelo artista, valendo-se do sistema portátil de 1/2 polegada. Performances de auto-análise, intervenções na tela do televisor, análises das condições de vivência do meio e ainda registros de atividades conceptuais que exploram o espaço/tempo do video assinalam uma parte essencial desse processo.

Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810

1978

Walter Zanini

O campo especulativo do video mistura-se com a substancialidade da TV na exploração da realidade. Mas sua problemática inverte o que passou a ser a necessidade condicionada de consumo do telespectador, ou descerra campos insuspeitados e imprevistos à utilização do tubo de raios catódicos. Suas origens estão sensivelmente na compreensão da arte enquanto fenômeno acoplado à existencialidade, da arte enquanto um processo de atividade e, portanto, não mais conduzida pela exigência física da produção de um objeto, da arte que se pressupõe como um sistema colocado na perspectiva dos meios mais válidos da comunicação do presente (…).

Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810

1978

Walter Zanini

A televisão (…) utilizada comercialmente, converteu-se num elemento de massificação cultural, ou seja, em instrumento anti-dialógico à serviço da interpretação unívoca dos que retém o comando da informação: uma arma incomparável à serviço do poder político e econômico, do controle institucional, pouco importando a ideologia do sistema social em que viesse a ser implantado.

Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810

1978

David A Ross

Até 1965, os instrumentos do campo da televisão eram usados quase que exclusivamente pelas grandes firmas e pelos grandes partidos políticos para efetuar a transmissão unidirecional de informação previamente elaborada, nenhuma possibilidade havendo de que os mesmos instrumentos e o mesmo sistema de transmissão fossem usados para comunicações que viessem ao encontro das necessidades do indivíduo. A “revolução da meia polegada” abriu a possibilidade de se utilizarem sistemas de distribuição  descentralizados adaptados às necessidades de minorias numa sociedade pluralista, como, por exemplo, a televisão à cabo. Essa revolução também ampliou extraordinariamente o potencial do vídeo como um meio para a produção de arte.

Mais ou menos naquela mesma época, as atividades do grupo Fluxus e os happenigs organizados por artistas como Kaprow , Oldenburg e Dine, iam contribuindo para uma atitude mais aberta com relação a obras interdisciplinares e salientando a necessidade de uma arte mais informada pela cultura e mais capaz de informá-la.

David A Ross, pg 6. CA080

1975

Jack Boulton

Ao reorganizar a contribuição dos Estados Unidos à VIDEO ART, a fim de ser exposta na América Latina, procurei aderir tanto quanto possível à nossa concepção original: mostrar a variedade de opções exploradas pelos artistas que estão trabalhando com o video e reconhecer a relação que existe entre esses depoimentos estéticos pessoais e o macro-sistema gigantesco da televisão comercial.

Jack Boulton, pg 3. CA080

1975

Leon Ferrari

A arte marginal não se vende. A arte que se vende está no mesmo circuito da elite. Para se chegar a essa etapa de venda, do êxito do Dadá, de todas as vanguardas, você tem que ter a primeira etapa, da marginalização que você passa. Mas é uma etapa qu está compreendida dentro do sistema. (…) amanhã você pode vender sua obra.

Leon Ferrari, pg 26.  DT1479  

1980

Aguilar

Existe um processo de cultura que é a cultura popular, que não é a pop art, é mais a cultura da fome, e a gente não chega perto,  porque realmente não tem a linguagem própria, a linguagem vivencial para se exprimir (…). Existe um tipo de cultura que é cultura oficial. Esta cultura oficial é a cultura de fachada de uma superestrutura política e social e que entra componentes estéticos, valorações de mercado de arte e existe todo um jogo de praticamente vender a alma ao diabo, porque a verdade você está se expondo, você está se vendendo (…).  Agora, existe um terceiro tipo de cultura, ou anti-cultura, ou o que você quiser chamar, porque é um problema da comunicação meio marginal, não marginal no sentido social, mas marginal no sistema de linguagens e de canais de comunicação de arte. Por exemplo, (…) quando eu estou falando que performance é um tipo de arte marginal dos canais de arte, é. É porque ninguém vende performance, (…) teu preço cai no mercado, é totalmente marginalizante.

Aguilar, pg 25.  DT1479  

1980

Hudnilson

O que dá força à performance é o fato dela se inscrever numa linha da produção cultural que realmente vai tentando fugir da ideologia do produto artístico e vai tentando passar  para uma produção, um fazer artístico. Isso é uma enorme de uma revolução em termos não só de arte como de cultura, como até de socidade, se ela conseguir projetar essa proposta pelo resto da sociedade.  E romper todo um esquema de produção de arte, que no fundo estava inteiramente calcada em cima do sistema do regime de produção da sociedade capitalista como um todo.

Hudnilson, pg 8, DT3601

1984

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