ARTES DE FRONTEIRA hibridismos e experimentações

Uma leitura expandida do material de PERFORMANCE e VIDEOARTE no Arquivo Multimeios do CCSP

Arquivo de sociedade

Márcia de Carvalho

Se deve fazer videos para alguém assistir. Independente da minha vontade de fazê-lo, eu tenho que ter determinado antes de fazer qual vai ser o público, quais vão ser os canais, se eu vou querer passar na televisão, se eu vou querer no circuito alternativo, se eu vou colocar em locadoras, qual a forma de distribuição para esse video. (…) Acho importante que você desenvolva uma linguagem a partir da necessidade da sociedade, o que a sociedade deseja, quais são as suas discussões e qual é o imaginário que tem a ver com o que a sociedade está passando naquele momento.

Márcia de Carvalho,    p.4-5,   TR 2132

1990

Sonia Salzstein

Vanguarda, entre outras coisas, também significa, segundo o dicionário Aurélio Buarque de Holanda, “a parcela mais avançada de qualquer grupo social”.

Sonia Salzstein   p. 1 e 2.   DT 1834

1978

Wolf Vostell

A vanguarda descobre sempre épocas esquecidas que não fascinam mais a sociedade burguesa e que não podem mais ser, por assim dizer, exemplos. Ora, mostramos que os rituais das minorias são exemplos notáveis, são reflexos do humanismo e da expressão da liberdade humana.

Wolf Vostell – Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 320. DT3599

1983

Wolf Vostell

O Fluxos (…) desmascarou as afetações da sociedade. Por esse motivo, a sociedade em sua totalidade é contra tais manifestações da arte, porque elas perturbam os sistemas de valores

Wolf Vostell – Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 320. DT3599

1983

Walter Zanini

Sua atuação [do videoarte] tem-se revelado freqüentemente na direção de uma análise da própria sensibilidade, de um auto-estudo ou na investigação crítica da realidade social, onde procuram trazer com sua imaginária uma contribuição e interferência nos contextos de vivência massificada. A desalienação do indivíduo diante das pressões que estreitam sua consciência tem constituído uma de suas intenções essenciais, e nesse sentido a imagem eletrônica que realizam configura-se enquanto uma contra-televisão.

Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810

1978

David A Ross

Até 1965, os instrumentos do campo da televisão eram usados quase que exclusivamente pelas grandes firmas e pelos grandes partidos políticos para efetuar a transmissão unidirecional de informação previamente elaborada, nenhuma possibilidade havendo de que os mesmos instrumentos e o mesmo sistema de transmissão fossem usados para comunicações que viessem ao encontro das necessidades do indivíduo. A “revolução da meia polegada” abriu a possibilidade de se utilizarem sistemas de distribuição  descentralizados adaptados às necessidades de minorias numa sociedade pluralista, como, por exemplo, a televisão à cabo. Essa revolução também ampliou extraordinariamente o potencial do vídeo como um meio para a produção de arte.

Mais ou menos naquela mesma época, as atividades do grupo Fluxus e os happenigs organizados por artistas como Kaprow , Oldenburg e Dine, iam contribuindo para uma atitude mais aberta com relação a obras interdisciplinares e salientando a necessidade de uma arte mais informada pela cultura e mais capaz de informá-la.

David A Ross, pg 6. CA080

1975

Hudnilson

O que dá força à performance é o fato dela se inscrever numa linha da produção cultural que realmente vai tentando fugir da ideologia do produto artístico e vai tentando passar  para uma produção, um fazer artístico. Isso é uma enorme de uma revolução em termos não só de arte como de cultura, como até de socidade, se ela conseguir projetar essa proposta pelo resto da sociedade.  E romper todo um esquema de produção de arte, que no fundo estava inteiramente calcada em cima do sistema do regime de produção da sociedade capitalista como um todo.

Hudnilson, pg 8, DT3601

1984

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