ARTES DE FRONTEIRA hibridismos e experimentações
Uma leitura expandida do material de PERFORMANCE e VIDEOARTE no Arquivo Multimeios do CCSPArquivo de tela
Hamilton Viana Galvão
[sobre uma performance] O trabalho mesmo é a tela, a tela vem embaixo do braço, eu coloco a tela no chão e ali em cima da tela eu tiro a roupa. Ali está o meu diálogo com o público. A partir do momento que eu tiro a roupa eu posso não beber a tinta, eu posso entornar a tinta, eu posso fazer qualquer coisa. Eu domino o público no momento que eu tiro a roupa. Tirar a roupa ainda é uma coisa bem estranha.
Hamilton Viana Galvão p. 6 e 7. TR 2223
1984
Gabriel Borba Filho
O que torna o trabalho de arte sério é a história, seja pela historização do objeto em si, uma tela que fica famosa, seja pela historização do modelo. (…) A performance não se faz história. Primeiro, ela é um fato efêmero, de modo que ela não tem condição de se fazer histórica a não ser pelo rumo e pela documentação.
Gabriel Borba Filho, p.7-8, TR 2025
1985
Lygia Arcuri Eluf
Nos dois últimos anos da década de 60 e no início da seguinte, a performance refletiu a rejeição da arte conceitual aos materiais tradicionais como tela, pincel, carvão, etc. Os performers utilizavam o próprio corpo como material.
Lygia Arcuri Eluf, p.31, DT 3604.
1987
Walter Zanini
No Brasil, a linguagem do video tem sido geralmente uma ação programada pelo artista, valendo-se do sistema portátil de 1/2 polegada. Performances de auto-análise, intervenções na tela do televisor, análises das condições de vivência do meio e ainda registros de atividades conceptuais que exploram o espaço/tempo do video assinalam uma parte essencial desse processo.
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Walter Zanini
A história da videoarte, portable production, demonstrou o quanto a criatividade de seus autores esbarrou na indiferença e na hostilidade dos receptores. Incompreensível, aborrecível, desinteressante, inócua, eram e são adjetivos habituais a que se acrescenta a sua subestimação motivada pelos chamados “defeitos” ou “enganos” técnicos, que contrastam com a perfeição e a sofisticação da tela fosforescente da televisão de estúdio. Alguns teóricos do video têm assinalado que o “aborrecimento” do video não seria maior que o da TV comercial, a cujos programas intercalados intermitentemente por interrupções de propaganda, promoções da estação, spots, etc., todos, porém, bem ou mal se acostumaram.
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Walter Zanini
Todo potencial da televisão dirige-se à apreensão da realidade nos mais penetrantes aspectos de sua imediaticidade. As qualidades estruturais específicas da TV tem sido estudadas frequentemente na análise comparativa com o cinema. Um depoimento de Frank Gillette refere-se às naturezas intrínsecas da luz do cinema e da luz do video: nesta “você olha na fonte da luz, e no filme você olha com a fonte da luz” (conforme Willoughby Sharp). Os contrastes que separam a rapidez da informação proporcionada pelos recursos eletrônicos da televisão da lentidão de transmissão a que obriga a natureza química do filme, a intensidade do presente registrado na fita magnética e a aura de passado que fulge mesmo nas atualidades cinematográficas, a forma de comunicação direta da TV em oposição à aura de ficção de que o cinema não escapa até nos seus próprios desvelos realísticos, o feed back possibilitado pelo video e a mensagem sem retorno do filme, a informalidade e a intimidade de apresentação de um programa de TV, determinada pelo seu pequeno screen, contrapostas ao cerimonial da apresentação do filme, herdeiro da cena italiana – compõe esse corpus geral da antinomías linguísticas entre os dois media.
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Cacilda Teixeira da Costa
Paik e Vostell compreenderam muito rápido que liberando a imagem da TV dos limites da tela seria possível alcançar formas inesperadas e sedutoras de uma nova estrutura própria da era eletrônica. As videoesculturas de Paik são as primeiras videoinstalações.
Cacilda Teixeira da Costa, p.6, TR 2130
1990
Gabriel Borba Filho
De repente, o artista plástico deixa de manipular o seu material tradicional, pincel, tela, etc, e passa a manipular um material bastante sofisticado, que é esse equipamento do teatro, criando uma nova intermediação e mergulhando num universo que começa já a se distanciar, de alguma maneira, daquela pureza artística, pureza dentro da capacidade artística que se trabalha, que vem se desenvolvendo desde o barroco. Pintura ser somente pintura e mais nenhuma outra coisa (…).
Gabriel Borba Filho, pg 1 e 2, DT3601
1984
(Falando sobre performance)