ARTES DE FRONTEIRA hibridismos e experimentações
Uma leitura expandida do material de PERFORMANCE e VIDEOARTE no Arquivo Multimeios do CCSPArquivo de tempo
Walter Silveira
Eu gosto do video, eu gosto da imagem, dessa possibilidade de você ter a imagem, dessa imagem ser processada no tempo e você ter condições de trabalhar com o som também. O que fascina no video é a permanência ali do movimento da coisa, é você conseguir captar esse tipo de espontaneidade.
Walter Silveira, p. 9, TR 2133
1990
Walter Silveira
O video deixou de ser aquele programa com começo, meio e fim para ser uma coisa em que a discussão do espaço/tempo está mais embutida no trabalho. O lugar de colocação desses trabalhos seria nas galerias, nos museus, no Centro Cultural e em festivais.
Walter Silveira, p. 4, TR2133
1990
Lygia Arcuri Eluf
O artista alemão Joseph Beuys acreditava que a arte deveria efetivamente transformar a vida cotidiana das pessoas. “Nós temos que revolucionar o pensamento humano. Antes de tudo, a revolução acontece com o homem. Quando o homem é realmente livre, o ser criativo pode produzir algo novo e original, ele pode revolucionar o tempo”.
Joseph Beuys
Lygia Arcuri Eluf, p.24, DT 3604
1987
John Cage
“Minha peça favorita é a que nós ouvimos o tempo todo se ficamos calados”.
John Cage
in Lygia Arcuri Eluf, p.17, DT 3604.
1987
Lygia Arcuri Eluf
Em 1936, Albers chamou seu colega da Bauhaus Xanti Schawinsky para ajudá-lo. Como lhe foi dada liberdade para criar seu próprio programa, Schawinsky logo delineou seus estudos de performances como uma extensão das experimentações que haviam sido feitas na Bauhaus. “Esse curso não é nenhum treino para nenhum tipo especial de teatro contemporâneo; é um estudo geral de um fenômeno fundamental: espaço, cor, forma, luz, som, movimento, música, tempo; é um método educacional que almeja o intercâmbio com as artes e ciências usando o palco como laboratório e lugar para a ação e experimentação; o trabalho que realizamos é um conceito pictórico formal; é um teatro visual”, explicou Schawinsky.
Lygia Arcuri Eluf, p.13-14, DT 3604.
1987
Walter Zanini
No Brasil, a linguagem do video tem sido geralmente uma ação programada pelo artista, valendo-se do sistema portátil de 1/2 polegada. Performances de auto-análise, intervenções na tela do televisor, análises das condições de vivência do meio e ainda registros de atividades conceptuais que exploram o espaço/tempo do video assinalam uma parte essencial desse processo.
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Walter Zanini
Todo potencial da televisão dirige-se à apreensão da realidade nos mais penetrantes aspectos de sua imediaticidade. As qualidades estruturais específicas da TV tem sido estudadas frequentemente na análise comparativa com o cinema. Um depoimento de Frank Gillette refere-se às naturezas intrínsecas da luz do cinema e da luz do video: nesta “você olha na fonte da luz, e no filme você olha com a fonte da luz” (conforme Willoughby Sharp). Os contrastes que separam a rapidez da informação proporcionada pelos recursos eletrônicos da televisão da lentidão de transmissão a que obriga a natureza química do filme, a intensidade do presente registrado na fita magnética e a aura de passado que fulge mesmo nas atualidades cinematográficas, a forma de comunicação direta da TV em oposição à aura de ficção de que o cinema não escapa até nos seus próprios desvelos realísticos, o feed back possibilitado pelo video e a mensagem sem retorno do filme, a informalidade e a intimidade de apresentação de um programa de TV, determinada pelo seu pequeno screen, contrapostas ao cerimonial da apresentação do filme, herdeiro da cena italiana – compõe esse corpus geral da antinomías linguísticas entre os dois media.
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Cacilda Teixeira da Costa
As instalações de video ficaram cada vez mais complexas e constituem certamente a possibilidade mais rica que se oferece hoje aos artistas que trabalham com video no circuito de galerias e museus. Essas instalações, quando elas realmente estão bem realizadas, quando elas têm arte, quando elas servem como meio de alguma coisa, têm um significado (…), elas estabelecem um diálogo entre espaço e tempo em todos os aspectos (a luz, o som, a cor), as possibilidades diferentes de percepção da imagem se integram. A instalação não é o que mostra o video nem é o que você ouve, mas seria você conseguir uma integração entre todos esses aspectos e, principalmente, essa possibilidade diferente da percepção.
Cacilda Teixeira da Costa, p.11, TR 2130
1990
Cacilda Teixeira da Costa
O tempo do video é uma coisa decidida pelo artista. É uma coisa que causava imensa inquietação e muitas vezes tédios que viraram folclore: o tédio da videoarte. Na verdade, isso é um pouco da inexperiência dos artistas que vinham das artes plásticas e não tinham temperamento do uso do tempo. Então, faziam videos muito longos. (…) Uma forma que os artistas descobriram para contornar esse problema do tempo foi com a videoinstalação. (…) O tempo é um dos dados fundamentais da videoinstalação.
Cacilda Teixeira da Costa, p.3-4, TR 2130
1990
Aguilar
Muita gente me fala que a videoarte é muito chata além de agressiva. Ela é chata pois eu acho que ela joga com o tempo real e o tempo real é um tempo que incomoda. (…) A montagem da televisão ou do cinema (que a televisão usa muito a linguagem do cinema), é um tempo irreal. Toda montagem [nesses casos] é sempre no sentido de prender a atenção (…), te levando para longe de uma realidade sua, na maioria das vezes.
Aguilar, pg 10 – FT0491
1980
(mais adiante na pág 11 Aguilar reitera sua fala dizendo que se refere a alguns videos específicos que se utilizam do tempo real. Mas considero essa citação importante pois está falando da idéia de incômodo e estranhamento causada pela videoarte, como até hoje percebemos na apreensão arte contemporânea por parte do público.)
Gabriel Borba Filho
(…) aquela argentina, a Marta Minugin, ela uma vez falou uma coisa bem interessante. Ela falou assim: o tempo do happening era divertido, mas agora, o tempo da performance, é fascinante.
Gabriel Borba Filho, pg 11. DT1479
1980
Marcello Nitsche
(…) eu acho inclusive que o tempo da performance é o tempo da pintura. Não é uma coisa narrativa, é uma coisa completamente diferente. Na pintura você tem a imagem em bloco, você faz uma leitura diferente (…)
Marcello Nitsche, pg 9. DT1479
1980
Aguilar
Vocês estão sentados aí e a gente a tentando descongelar alguma comida que está totalmente congelada e explicar para todo mundo ter uma boa média e voltar com o cabedal conceitual um pouco mais rico. Mas na medida que se conceitua sobre processo de performance, a gente ta fazendo a anti-performance num determinado sentido, porque performance é justamente o tempo. É a tecitura nervosa do momento (…), cada missa é uma performance. E depois, se você chamar o padre, o sacerdote ou o papa para discutir sobre a performance dele, já parte do sagrado para o profano.
Aguilar, pg 7. DT1479
1980