ARTES DE FRONTEIRA hibridismos e experimentações
Uma leitura expandida do material de PERFORMANCE e VIDEOARTE no Arquivo Multimeios do CCSPArquivo de vida
Roberto Bicelli
A performance acaba sendo extremamente estimulante e é isso que o artista quer no fundo. No fundo o artista quer estimular as pessoas para elas transformarem a vida, transformarem o cotidiano numa obra de arte. Neste sentido, eles transformam o próprio corpo numa obra de arte, o próprio espaço numa obra de arte e, portanto, a consciência do público também é tomada por essa obra de arte. A maneira do público interagir com isso é se tornar artista também.
Roberto Bicelli, p.14, TR 2021
1985
Lygia Arcuri Eluf
O artista alemão Joseph Beuys acreditava que a arte deveria efetivamente transformar a vida cotidiana das pessoas. “Nós temos que revolucionar o pensamento humano. Antes de tudo, a revolução acontece com o homem. Quando o homem é realmente livre, o ser criativo pode produzir algo novo e original, ele pode revolucionar o tempo”.
Joseph Beuys
Lygia Arcuri Eluf, p.24, DT 3604
1987
Lygia Arcuri Eluf
[Comentários de Cage sobre o Zen no Black Mountain College em 1952]
“No zen budismo, nada é bom ou mau, ou feio ou bonito… a arte não deve ser diferente da vida, mas uma ação com a vida; como tudo na vida, com seus acidentes, suas mudanças, variedade, desordem e apenas belezas momentâneas”.
John Cage
in Lygia Arcuri Eluf, p.17, DT 3604.
1987
Lygia Arcuri Eluf
Em 1937, John Cage expressou suas idéias num manifesto chamado “O futuro da música”, baseando-se na idéia de que “onde quer que você esteja o que você escuta é música: tanto o som de um caminhão, da chuva ou da estática do rádio são fascinantes”. Cage pretendia captar e controlar esses sons para usá-los não como efeitos sonoros, mas como instrumentos musicais.
Lygia Arcuri Eluf, p.14, DT 3604.
1987
Wolf Vostell
Este é um ponto importante do Fluxos: transformar as coisas da vida e do homem, aparentemente indígnas da arte, em objetos de arte.
Wolf Vostell – Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 320. DT3599
1983
Wolf Vostell
Direi mesmo que a forma do happenig e do Fluxos é, no melhor dos casos, a consagração da vida.
Wolf Vostell – Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 320. DT3599
1983
O elemento importante do happenig e do Fluxos parece-me ser o fato de que os artistas ocidentais, americanos e europeus, sugeriram, celebraram e estilizaram na hora certa o ritual europeu, o ritual da indústria ocidental pelo caminho dos rituais africanos. Vários dos meus happenigs eram a ritualização de circunsâncias da vida que, nesta época, apareciam como problemas atuais. O culto do automóvel, o culto da televisão, o culto da aviação. (…) Minha geração cresceu praticamente com esses fenômenos e fez deles rituais.
Wolf Vostell – Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 320. DT3599
1983
Wolf Vostell
Minha contribuição ao Fluxos é a extensão do conceito de vida. A vida recebe novo significado quando é conscientemente composta e quando se trabalha conscientemente nisso.
Wolf Vostell – Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 319. DT3599
1983
Wolf Vostell
O artista não age mais somente diante do público, mas com o público. Isto é, as obras de arte, sejam música, ambientes ou ações, são vivas. É um ponto totalmente crucial, segundo Picasso. A arte vive e toma forma por um instante, identifica-se ao sistema nervoso do ser humano. Somente a partir do fluxos todos os sentidos e o corpo são envolvidos.
Wolf Vostell – Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 319. DT3599
1983
Wolf Vostell
A música Fluxos não é uma música feita a partir de sons como era mais ou menos a música concreta dos franceses após 1945: circulavam com um gravador e gravavam os barulhos da rua. O Fluxos também nada tem haver com a música sintética como era produzida por Stockhausen em sua música eletrônica. São procedimentos musicais que nascem ou são produzidos através de uma ação artística, seja viva, seja carregada de imagens. Quer dizer que, durante a maior parte do tempo, o procedimento visual e acústico constitui simultaneamente um acontecimento único, e o efeito visual não deve ser dissociado do Fluxos. Assim, quando ocorre um concerto de Fluxos, o visual é um elemento muito importante, é apenas à partir do procedimento visual que o ruído tornou-se possível. No fundo, é uma música “livre” criada por procedimentos “live”: música de acontecimentos!
Wolf Vostell – Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 319. DT3599
1983
Wolf Vostell
Inicialmente, o Fluxos era um estado de espírito, um modo de ser mais forte que o do happenig. O Fluxos expandiu-se amplamente nos primórdios dos anos 60, a pesar de, historicamente, situar-se após o happenig. Penso também que sem o happenig o Fluxos não teria ocorrido. Foi a variedade de sua estética musical que nos aproximou do Fluxos, este modo de interpretar, que ia da música de ação, de vida, de pensamento à música de “colagem”, à música de comportamento até a música invisível. Este espectro que concebe a vida não somente como uma obra de arte – como mencionei em 1961: a vida é uma obra de arte, a obra de arte é a vida -, mas que concebe a vida inteira como uma música, como um processo musical. É a filosofia em relevo do Fluxos(…).
Wolf Vostell - Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 319. DT3599
1983
Jonh Cage
Gostaria que se pudesse considerar a vida cotidiana como teatro.
Jonh Cage – Catálogo geral 17ª bienal de São Paulo pg 318 DT3599
1983
Giuseppe Chiari
O que é um happenig? Assumir um ato que se faz habitualmente, na vida diária, de modo distraído, quase sem perceber, como um ato significante.
Giuseppe Chiari – Catálogo geral 17ª Bienal de São Paulo. pg 318 .DT3599
1983
VIDEO ART USA
Em um ensaio escrito em 1965, Nam June Paik observou que a “arte cibernetizada é muito importante, porém arte para a vida cibernetizada é ainda mais importante; contudo a vida não precisa ser cibernetizada”. Com seus múltiplos interesses, como Zen, cibernética, composição musical e uma política global dedicada à sobrevivência e à mudança, Paik literalmente abriu a picada para toda uma geração de artistas.
Notas sobre a exposição VIDEO ART USA, pg 12. CA080
1975




