ARTES DE FRONTEIRA hibridismos e experimentações
Uma leitura expandida do material de PERFORMANCE e VIDEOARTE no Arquivo Multimeios do CCSPArquivo de video
Walter Silveira
O videoclip, que seria uma saída para o video mais criativo, não acontece no Brasil, ele é feito dentro das próprias televisões de maneira bem tradicional. Comercial feito em video segue também as leis do mercado.
Walter Silveira, p. 8, TR 2133
1990
Walter Silveira
A questão da tecnologia ligada ao video não é tão fundamental. Fundamental é a idéia, o conceito de trabalho e não o recurso que se dispõe. (…) O equipamento sozinho não anda, o que move é a idéia, o projeto, o conceito dele.
Walter Silveira, p. 7-8, TR 2133
1990
Márcia de Carvalho
Se deve fazer videos para alguém assistir. Independente da minha vontade de fazê-lo, eu tenho que ter determinado antes de fazer qual vai ser o público, quais vão ser os canais, se eu vou querer passar na televisão, se eu vou querer no circuito alternativo, se eu vou colocar em locadoras, qual a forma de distribuição para esse video. (…) Acho importante que você desenvolva uma linguagem a partir da necessidade da sociedade, o que a sociedade deseja, quais são as suas discussões e qual é o imaginário que tem a ver com o que a sociedade está passando naquele momento.
Márcia de Carvalho, p.4-5, TR 2132
1990
Walter Silveira
O que se fala muito hoje em dia é em se tornar um profissional do video. Então, a experimentação está em baixa nessa década. O que vem é uma questão de trabalhar com a narrativa clássica e procurar se aproximar dos modelos mais tradicionais. O futuro vai ser mais comercial, tranquilo. Mesmo porque eu não tenho visto nos últimos festivais nada que apontasse para algum tipo de novidade de experimentação mais radical na questão do video.
Walter Silveira, p. 9, TR 2133
1990
Walter Silveira
Eu gosto do video, eu gosto da imagem, dessa possibilidade de você ter a imagem, dessa imagem ser processada no tempo e você ter condições de trabalhar com o som também. O que fascina no video é a permanência ali do movimento da coisa, é você conseguir captar esse tipo de espontaneidade.
Walter Silveira, p. 9, TR 2133
1990
Silvia Fernandes Telesi
Caracterizamos a performance primeiramente como um código artístico múltiplo, resultante de emissão multimídia – drama, video, imagens, sons – que provoca no espectador uma recepção mais cognitivo-sensorial que racional.
Silvia Fernandes Telesi, p.3, DT 3876
1990
Silvia Fernandes Telesi
A experimentação de linguagem fazia dos espetáculos [mais interessantes da década de 80] verdadeiros laboratórios de invenção de procedimentos cênicos. Todos tinham em comum a preocupação com o estudo e a pesquisa e denunciavam em cena o intenso trabalho de preparação teórica e prática que, subsidiando-os, fazia deles expressões artísticas de fronteira. Eles escapavam dos limites estreitos de uma arte única e se movimentavam com desenvoltura dentro de um amplo espectro de procedimentos, recorrendo à recursos de teatro, artes plásticas, música, dança, bem como às novas mídias representadas pelo video e por outros meios de eletronificação. Além disso, todos eles apresentavam uma estrutura fragmentária, bastante distante da relativa unidade dramática presente na maioria das peças em cartaz. Procurado uma pista para desvendar esse todo fragmentário de manifestações cênicas, que nos fornecesse um corpo teórico minimamente definido, encontramos a arte da performance.
Silvia Fernandes Telesi, p.2-3, DT 3876
1990
Márcia de Carvalho
Tem a televisão, tem o cinema e tem o video, são coisas pra públicos diferentes e, na verdade, definir o público do video é uma coisa que ainda está se fazendo.
Márcia de Carvalho, p.3, TR 2132
1990
Walter Silveira
O video deixou de ser aquele programa com começo, meio e fim para ser uma coisa em que a discussão do espaço/tempo está mais embutida no trabalho. O lugar de colocação desses trabalhos seria nas galerias, nos museus, no Centro Cultural e em festivais.
Walter Silveira, p. 4, TR2133
1990
Walter Silveira
A coisa que falta e que agora começa a aparecer são salas e espaços voltados para exibição e um incentivo maior também para a produção e desenvolvimento, não do video genericamente, mas do video experimental, do videoarte, do pensamento videográfico.
Walter Silveira, p. 3-4, TR 2133
1990
Guto Lacaz
Eu fazia muito cinema Super 8. Quando apareceu o video, eu quis comprar pra experimentar, buscar canais de expressão. No fundo, tudo é uma coisa só, tudo se liga de alguma forma. Eu vi que nas artes havia muito essa relação, a relação entre as linguagens. Se bem que cada linguagem tem a sua profundidade, a sua especificidade, dando pra compor entre elas.
Guto Lacaz p.17 TR 1884
1985
Videocriaturas
videocriatura XIPÓFAGA em CACHITO
Obra de Otavio Donasci
Evento de 80 anos da Pinacoteca de São Paulo”VIRADA DO SEC XX”
Fotografia do acervo do artista
1986
Videocriatura
VIDEOTAURO

CAVALEIRO DO APOCALIPCE

performance de Otavio Donasci
Fotografias do acervo do artista
CAMPOS – RJ
INAUGURAÇÃO DO CENTRO CULTURAL DE V.MARIA
1993
Walter Zanini
No Brasil, a linguagem do video tem sido geralmente uma ação programada pelo artista, valendo-se do sistema portátil de 1/2 polegada. Performances de auto-análise, intervenções na tela do televisor, análises das condições de vivência do meio e ainda registros de atividades conceptuais que exploram o espaço/tempo do video assinalam uma parte essencial desse processo.
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Walter Zanini
Os artistas do video exercem-se no plano da intersemioticidade. Sua atitude fundamental é a da renúncia aos contextos que privilegiam os atributos estéticos da arte. Idéia e signo são os referenciais de sua individuação aplicados no sentido interrogativo dos níveis da realidade. À finitude da obra tradicional opõem uma sistemática de trabalho alicerçada no continuum processual.
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Walter Zanini
As edições que propagam os trabalhos, a constituição de videotecas, as manifestações que se multiplicam por toda a parte, são evidências insinuantes da imposição por si mesma de uma mídia que se endereça ao futuro (…).
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Walter Zanini
Sua atuação [do videoarte] tem-se revelado freqüentemente na direção de uma análise da própria sensibilidade, de um auto-estudo ou na investigação crítica da realidade social, onde procuram trazer com sua imaginária uma contribuição e interferência nos contextos de vivência massificada. A desalienação do indivíduo diante das pressões que estreitam sua consciência tem constituído uma de suas intenções essenciais, e nesse sentido a imagem eletrônica que realizam configura-se enquanto uma contra-televisão.
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Walter Zanini
A videoarte pertence à galáxia da multimídia, ou seja, às múltiplas produções de linguagem que se comportam em níveis operacionais completamente distintos daqueles que identificam a obra única, inserida nos contextos da cotaçao de mercado, não significando isso que um video-cassete ou um livro-de-artista não tenham um preço. É claro que eles o têm, mas nenhum paralelo poderia ser traçado aproximando a distância que separa essas duas realidades profundamente divergentes.
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Walter Zanini
No que se refere à veiculação, é uma verdade óbvia que a informação do video, na mobilidade incomparável de seu trânsito, pode atender diferenciadas necessidades culturais contemporâneas com muito maior eficácia do que a setorização que aflige o produto artístico tradicional, situação que, entre nós, Waldemar Cordeiro insistia em esclarecer, na sua defesa radical do uso dos meios eletrônicos (…).
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Walter Zanini
O campo especulativo do video mistura-se com a substancialidade da TV na exploração da realidade. Mas sua problemática inverte o que passou a ser a necessidade condicionada de consumo do telespectador, ou descerra campos insuspeitados e imprevistos à utilização do tubo de raios catódicos. Suas origens estão sensivelmente na compreensão da arte enquanto fenômeno acoplado à existencialidade, da arte enquanto um processo de atividade e, portanto, não mais conduzida pela exigência física da produção de um objeto, da arte que se pressupõe como um sistema colocado na perspectiva dos meios mais válidos da comunicação do presente (…).
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Walter Zanini
A abordagem do video, desde a década passada, vem sendo realizada pelos artistas ao menos em três áreas distintas:
1) pela manipulação técnica do fluxo de imagens eletrônicas convertidas em significantes “abstratos”;
2) pelo tratamento do VT como elemento de instauração ambiental;
3) pelas virtualidades que oferece à atividade do produtor na percepção da realidade enquanto fenômeno auto-expressivo e/ou social.
Walter Zanini – I encontro internacional de Videoarte de São Paulo. CA810
1978
Tadeu Jungle
O Brasil ainda encara o video como um objeto estranho. Hoje percebemos os empresários e publicitários mais conscientes do valor deste suporte eletrônico e notamos que no campo comercial o video cresce sem problemas. Isto sem falar no uso óbvio dentro da TV.
Não podemos dizer o mesmo da área cultural. Fazer arte em video, hoje e aqui, é obra sem causa. Não vamos nos aprofundar nos porquês: inexistência de espaços para veiculação; retorno comercial nulo; desprezo estético generalizado pela intelectualidade Brasiliana…
Tadeu Jungle – MAC Espaço video MAC / Panasonic pg 17 PR1715
1988
VIDEO ART USA
Douglas Davis explora ao mesmo tempo o medo latente desse meio frio de comunicação e a sua natureza como meio de comunicação individual (ao invés de comunicação com um fictício público em massa).
Notas sobre a exposição VIDEO ART USA, pg 12. CA080
1975
Cacilda Teixeira da Costa
As instalações de video ficaram cada vez mais complexas e constituem certamente a possibilidade mais rica que se oferece hoje aos artistas que trabalham com video no circuito de galerias e museus. Essas instalações, quando elas realmente estão bem realizadas, quando elas têm arte, quando elas servem como meio de alguma coisa, têm um significado (…), elas estabelecem um diálogo entre espaço e tempo em todos os aspectos (a luz, o som, a cor), as possibilidades diferentes de percepção da imagem se integram. A instalação não é o que mostra o video nem é o que você ouve, mas seria você conseguir uma integração entre todos esses aspectos e, principalmente, essa possibilidade diferente da percepção.
Cacilda Teixeira da Costa, p.11, TR 2130
1990
Cacilda Teixeira da Costa
Paik e Vostell compreenderam muito rápido que liberando a imagem da TV dos limites da tela seria possível alcançar formas inesperadas e sedutoras de uma nova estrutura própria da era eletrônica. As videoesculturas de Paik são as primeiras videoinstalações.
Cacilda Teixeira da Costa, p.6, TR 2130
1990
Cacilda Teixeira da Costa
O tempo do video é uma coisa decidida pelo artista. É uma coisa que causava imensa inquietação e muitas vezes tédios que viraram folclore: o tédio da videoarte. Na verdade, isso é um pouco da inexperiência dos artistas que vinham das artes plásticas e não tinham temperamento do uso do tempo. Então, faziam videos muito longos. (…) Uma forma que os artistas descobriram para contornar esse problema do tempo foi com a videoinstalação. (…) O tempo é um dos dados fundamentais da videoinstalação.
Cacilda Teixeira da Costa, p.3-4, TR 2130
1990
Cacilda Teixeira da Costa
Esses videos de artistas desde o começo foram muito difíceis de se colocar. A aspiração dos artistas era que eles fossem veiculados pela televisão comercial, mas isso é dificílimo. (…) A televisão comercial não é o meio, não é o canal para o video de artista. Assim, ele começou a ser veiculado no meio das artes, nas galerias, nos museus (…).
Cacilda Teixeira da Costa, p.2, TR 2130
1990
Cacilda Teixeira da Costa
Esses artistas [do video] se expressavam dentro algumas linhas principais: a significação abstrata, quer dizer, eles usavam meios eletrônicos, tecnológicos, etc. para pesquisar uma imagem abstrata de video de televisão. Uma outra tendência era a documentação, auto-expressiva e social, quer dizer, eles faziam performances que eram registradas em video e eles apresentavam como trabalho de video, mas na maioria das vezes eram performances e instalação ambiental que é o que hoje nós chamamos instalações de video.
Cacilda Teixeira da Costa, p.2, TR 2130
1990
Cacilda Teixeira da Costa
As instalações de video que estão interessando para vocês agora derivam da chamada videoarte, ou seja, o videotape usado por artistas como meio para expressão de sua arte. Começou no final dos anos 50 com Nan June Paik e Wolf Vostell.
Cacilda Teixeira da Costa, p.1, TR 2130
1990
VIDEO ART USA
Em um ensaio escrito em 1965, Nam June Paik observou que a “arte cibernetizada é muito importante, porém arte para a vida cibernetizada é ainda mais importante; contudo a vida não precisa ser cibernetizada”. Com seus múltiplos interesses, como Zen, cibernética, composição musical e uma política global dedicada à sobrevivência e à mudança, Paik literalmente abriu a picada para toda uma geração de artistas.
Notas sobre a exposição VIDEO ART USA, pg 12. CA080
1975
VIDEO ART USA
Douglas Davis ataca especificamente os conceitos vigentes sobre a passividade do expectador em relação tanto à televisão como à arte em geral.
Notas sobre a exposição VIDEO ART USA, pg 12. CA080
1975
Acerca da obra Austrian Tapes, do artista.
VIDEO ART USA
O desempenho do artista, a instalação escultural e a produção de um videotape fazem todos parte integrante da obra.
Notas sobre a exposição VIDEO ART USA, pg 11. CA080
1975
Acerca da obra Lip Sync de Bruce Nauman
VIDEO ART USA
(…) A maioria dos trabalhos expostos consiste de videotapes, a modalidade de arte do video mais portátil e mais prática do ponto de vista técnico. A seleção de tapes exibidos abrange uma variedade incrível de atitudes, formas e estilos, evidenciando a extraordinária vitalidade do video como instrumento de criação.
Notas sobre a exposição VIDEO ART USA, pg 9. CA080
1975
VIDEO ART USA
O trabalho com video que atualmente se faz nos Estados Unidos pode ser dividido, grosso modo, em três categorias principais: vários tipos de videotape, apresentações ao vivo com o concurso do video, quer diretamente, quer como acessório do trabalho, e construções esculturais. Infelizmente, porém, a distinção nítida entre essas categorias torna-se menos precisa, pelo fato de que muitos trabalhos contém elementos de mais de uma categoria(…).
Notas sobre a exposição VIDEO ART USA, pg 9. CA080
1975
David A Ross
Qual é o significado da expressão arte do video? A melhor definição talvez seja: qualquer trabalho de arte que abranja materiais próprios ao video, tais como câmeras e aparelhos de televisão, equipamento para filmar ou projetar videotapes e um grande número de aparelhos para reprodução da imagem, ou seja, sistemas de televisão em geral.
David A Ross, pg 5. CA080
1975
David A Ross
O fato de que um número cada vez maior de artistas nos Estados Unidos vir trabalhando com os meios de produção para a televisão continua a causar perplexidade não só entre os críticos como também no público em geral.
David A Ross pg 5. CA080
1975
Jack Boulton
Ao reorganizar a contribuição dos Estados Unidos à VIDEO ART, a fim de ser exposta na América Latina, procurei aderir tanto quanto possível à nossa concepção original: mostrar a variedade de opções exploradas pelos artistas que estão trabalhando com o video e reconhecer a relação que existe entre esses depoimentos estéticos pessoais e o macro-sistema gigantesco da televisão comercial.
Jack Boulton, pg 3. CA080
1975
Eletroperformance
Performance, video-registro.
Trecho do video original de Guto Lacaz de 36′ 26’’ de 2008.
Versão original de 1983 apresentada no Ponderosa Bar.
Concerto de piano com luvas de boxe
Performance, video-registro.
Trecho do video original de Aguilar de 15’23’’
Concerto de piano de cauda com luvas de boxe, violino, cítara, 2 extintores de incêndio, 4 letras de 2 metros de altura e instrumentos vários.
Participação de Go, Marcicano, Arnaldo Antunes e Vania Passos na Pinacoteca de São Paulo em novembro de 1980.
Aguilar
O video se diferencia violentamente do cinema, primeiro pelas própiras condições tecnológicas… você pega uma câmera de video, quando olha no visor você não ve nada. (…) [no video] a realidade é feita através de uma série de pontos e linhas. Então é uma realidade traduzida, quase. Não é como o cinema, que é uma realidade ótica (…).
Aguilar, pg 5 – FT0491
1980
Aguilar
A televisão brasileira não tem iteresse [na videoarte], ela está muito viciada dentro de um determinado tipo de imagem que é o chamado – imagem global de qualidade -, em que os atores interpretam. Ainda é uma linguagem de teatro e não uma linguagem de video.
Aguilar, pg 4 – FT0491
1980
Jack Boulton
Historicamente, a primeira vez que o video foi apresentado no contexto das “belas artes” foi como escultura.
Jack Boulton, pg 3 CA808
1975
Aguilar
A videoarte está muito ligado também à arte de performance, porque na realidade, a arte corporal – a arte do momento e o video têm uma coisa muito interligada, o exato movimento, determinar a espontaneidade, a força do momento e a integração com as pessoas também é uma coisa interessante.
Aguilar, pg 7 – FT0491
1980
